23.9.17

Tem dias em que preciso me afastar das notícias para respirar melhor.
Senão penso nas pessoas que perderam suas vidas, familiares, casas e tudo mais com os furacões.
Perco o sono pensando nas crianças soterradas no México.
Me coloco no lugar das pessoas de bem da Rocinha que encontram-se no meio do fogo cruzado entre facções rivais e agora o exército.
São todos cenários que remetem à guerras.
Isso sem falar dos E.U.A. e Coréia do Norte.
Sou radicalmente da paz, sou contra toda e qualquer idéia de confronto, porque no meu entendimento numa guerra não há vencedores, somente inúmeras perdas.
E nesse meu afastamento vem minha mãe e diz:
- É que estou muito velha, senão eu ia lá trabalhar com os Médicos sem Fronteiras.
Claro que concordo com ela.O trabalho deles é admirável, eles fazem muito e mesmo assim ainda é pouco.
Porque somente conhecer o passado não parece ser o suficiente!


14.9.17

Não é sempre que conseguimos dizer tudo o que pensamos ou sentimos em relação ao outro.
Amei a frase abaixo, que não sei se é mesmo da Frida , mas também não faz diferença, o importante é que ela diz muito sobre mim, a maneira como me relaciono e como as pessoas são especiais!


9.9.17

Indo para Treze Tílias, em Santa Catarina, pela Rodovia Régis Bittencourt, ficamos 1 hora parados na serra por conta de obras na pista.
Aproveitei o tempo para fotografar alguns alpinistas trabalhando para a concessionária responsável pela interdição.




Alguns dias depois tive novamente contato com a história de alpinistas através da Edelweiss, uma rara flor alpina em formato de estrela, bem branca e aveludada..
Tornou-se o símbolo dos alpinistas pois cresce somente em altitudes de 1800 a 3000 metros.Contam que depois de colhida, se bem cuidada, pode durar até 100 anos e por isso tornou-se a flor símbolo do amor eterno.
Escalar os Alpes para buscar uma Edelweiss era uma façanha bem arriscada, então presentear a garota amada com essa flor era prova de muito amor e dedicação.


5.9.17

Quando a Coréia do Norte ameaça os Estados Unidos (ou vice versa) eu acordo um tanto mais sobressaltada.
Afinal nossa casa é uma só e a bagunça que os vizinhos fazem em seus quintais refletem no meu e nos de outros tantos bilhões de habitantes.
Viver nesse mundo "moderno e civilizado" não anda nada fácil.
Tenho que fazer força para não cair numa nostalgia crônica.Temos que tentar usar o passado para melhorar o futuro. E ele nos ensina que é preciso menos política e mais humanidade, embora muitas vezes pareça que somente a mudança política possa resolver as coisas. Isso é utopia!
Já a humanidade, como sentimento de bondade, benevolência em relação aos semelhantes, ou de compaixão e piedade em relação aos desfavorecidos, que também são nossos semelhantes, é o caminho mais seguro.
Que os dias sejam melhores:

3.9.17

Muitos sabem que gosto de artesanato como tricô, crochê e bordados.
O que poucos sabem é que quando pequena passava muitas tardes, depois da escola e da lição de casa, na casa da minha avó e que ela tinha uma máquina de tricô.E o melhor de tudo é que ela deixava as netas mexerem nela.
O tempo passou, minha avó se foi, meu pai também e eu decidi comprar uma máquina!


Decidi e comprei.
O cara metade está terminando a faxina, pois veio cheia de fiapos de lã, afinal ela é daquela época da minha avó.Igualzinha à da minha infância!
Só sei que acredito que meias eu consiga fazer nela.É o que eu tenho de memória.
O restante vou ter que aprender.
Por tanto, tenho somente uma certeza: no próximo inverno todos usarão meias feitas por mim!!!


E acredito que toucas eu também consiga fazer:

 

27.8.17

Vital Farias é um compositor paraibano.
Na verdade poeta e conhecedor do coração da gente.
Suas letras ganharam corpo, estrada e força em vozes como a de Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença.
Acho que ele fala de amor e saudade de uma forma leve e cativante.
Tipo de música que fica na gente!
E esta versão com o Zeca Baleiro é muito linda:

Hoje cuidei bem do coração, literalmente.
O almoço foi acompanhado de sangria, feito com vinho de uva violeta.Até que me dou bem com essa coisa de tomar uma taça por dia para manter a saúde, mas é só misturar frutas e gelo, chamar de sangria ou clericot, que eu tomo bem mais que uma taça.Amo essa combinação!


Fiquei um bom tempo sem tomar vinho até descobrir que o que me fazia mal eram alguns tipos de conservantes e não o vinho.Não sei bem quais e também não importa.Atualmente eu tomo uma taça de uma marca, se ficou tudo bem, compro mais garrafas.
E foi assim que fiz numa passagem rápida por Maringá~PR.
Vi a reportagem na televisão local e fui lá conhecer o tal vinho da uva violeta.Fomos muito bem recebidos pelo Sr. Salvador.O vinho que eles produzem é mesmo bem encorpado, tem perfume muito agradável e pouco tanino.
Foi com ele que fiz os 3 litros de sangria do almoço.
Ficou perfeito!
Para saber mais: Vinho produzido em Marialva  

23.8.17

No meio do caminho tinha uma cidadezinha, tinha uma cidadezinha no meio do caminho e ela era linda!!!


Escondida entre as muitas montanhas de Santa Catarina, mais ou menos entre Blumenau e Chapecó, está localizada Treze Tílias, conhecida como o "Tirol" brasileiro.


Passei três dias maravilhosos lá.
É um outro mundo, um mundo de portas abertas e muito verde.
Lugar ideal para descansar e namorar sem pressa.



Pretendo voltar!


10.8.17

Nunca substime um ser venenoso.
E não é que o veneno do escorpiãozinho, carregado com algumas bactérias, rodou, rodou, rodou dentro de mim e acabou se alojando no músculo da minha panturrilha.
Entre dores e gemidos sobrevivi com a ajuda persistente da indústria farmacêutica.
Semana que vem volto ao trabalho!!!
Ficar na cama o dia todo, com as pernas para cima, não é o meu forte.
Eu preciso caminhar por aí...mesmo que a passos lentos.

31.7.17

Eu achando que o Chico Buarque tinha pendurado as chuteiras... aí ele vem e escreve uma música dessas que faz o peito se iluminar:



Sou uma pessoa de suspiros, eles me escapam quando meu coração não consegue mais segurar.
Ai, Chico, essa sua cantiga é linda!

Mas...depois de muito escuta-la acho que pegou pesado com o que eu acredito que tenha sido um reforço poético na seguinte estrofe:

Quando seu coração suplicar
Ou quando teu capricho exigir
Largo mulher e filhos
E de joelhos vou te seguir

Nem era para tanto, né? Que mulher gostaria de um homem que lhe seguisse de joelhos, além de ser acusada de destruir um lar?

Mesmo como figura de reforço, a imagem é um tanto pesada.Não é porque a considero linda que não vejo seus defeitos.Entre tantos argumentos está o de que as mulheres de hoje tentam não carregar mais tantos carmas.
Eu estou errada?

24.7.17

''Em nossas vidas, há pessoas que nos fazem felizes pelo simples fato de ter cruzado o nosso caminho. Hoje e Sempre. Simplesmente porque cada pessoa que passa em nossa vida é única, sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Há os que levaram muito, mas não há os que não deixaram nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso.''  Jorge Luis Borges
Não importa o grau destas relações, só sei que eu aprendo muito com elas.E é com a estranheza de algumas que eu cresço como pessoa.Vou morrer e não vou ver de tudo nessa vida.
Eu quero é mais, que me surpreendam!
Essa vida é mesmo uma montanha russa, cujo sentido muda sempre que o carrinho sobe, desce ou para na estação.E o que importa é estar feliz!!!
Estou trabalhando agora numa colcha, com sobras de lã de um trabalho e outro, para doar no Lar dos Velhinhos, isso me deixa bem feliz.Há alguns anos foi moda, mas agora as pessoas encontraram outras prioridades.Não tem importância, eu não preciso de modismos, o meu combustível é outro.



15.7.17

As pessoas ainda me ligam para saber se eu estou bem...na verdade, estou ótima!!!
Estou esperando começarem os poderes especiais como o que aconteceu com Peter Parker.
Talvez os escorpiões seja emotivos pois ando uma manteiga derretida.
Ontem chorei baldes ao encontrar uma foto do meu pai na galeria do celular, foi tirada uma semana antes dele ser internado, quando ele só tinha uma infecção urinária, que na sua idade era suficiente para deixá-lo caidinho.
Mas, enfim, este é o último sorriso que eu guardo dele.


Voltando à vida normal, aquela que nos atropela toda manhã, hoje fiz panquecas.
Tenho uma relação estranha com elas, adoro prepará-las, gosto do sabor da massinha, mas não gosto de comê-las depois que saem do forno com molho e recheio.
Tanto que como enquanto as preparo, depois só provo.
Mas tem uma sobremesa que gosto muito: Crepe Suzette, só que nunca tentei preparar em casa.
Estou pensando em tentar!


Gosto tanto que tenho a receita na cabeça, só de ver fazer.
As minhas panquecas (crepes) são imbatíveis e não tem segredo algum, acho que é só prepará-los com prazer.
Para fazer a calda sei que tenho que derreter açucar no ponto de caramelo, colocar um pouco de manteiga e suco de laranja. Tudo incorporado, é a hora de flambar com uma mistura de Grand Marnier e Conhaque.
Pronto, acabou!
Gosto de comer com frutas frescas, gomos de laranja, morangos e uma colher generosa de chantilly.
Farei em breve!


12.7.17

Costumo dizer que minha vida não tem nada de monótona e não é exagero.
Me digam quantas pessoas vocês conhecem que saindo do banho, pegam a toalha (branquinha e fofinha) para se secarem e levam uma picada de escorpião no dedo indicador da mão?
Foi tudo super rápido, doeu um bocado na hora, latejou bastante, tive uma pontada de dor de cabeça, mas meia hora depois eu não sentia mais nada.
Foi este o tempo também que levei para me vestir e chegar ao posto de saúde.Mas antes disso liguei para a veterinária para saber o que fazer.
A resposta foi: pega o bicho e vai para o Posto de Saúde.



Chegando lá me levaram imediatamente para a sala 3.
Fui atendida por um médico cubano, a comunicação foi um tanto difícil, mas o enfermeiro era ótimo.
Segundo o médico, se fosse para ter uma reação violenta ao veneno, eu teria tido na hora e não depois.Mandou que eu me observasse durante o dia, tomasse um analgésico se fosse preciso e passasse uma pomada anti inflamatória no local picado.
Segundo o enfermeiro, o tipo que me picou é dos menos venenosos e que costuma ser mais perigoso para crianças e não para adultos saudáveis.E me recomendou que tomasse bastante água.
O bicho era bem pequeno, uns 2 cm, acho que ainda é filhote.Virou a celebridade do dia no P.S.
Conclusão: sobrevivi.
Já o escorpião, coitadinho, não está com uma cara muito boa.

9.7.17

Ando um tanto repetitiva...acho que é culpa da gripe.Gripe é apelido, isso é coisa do capeta.Eu devia ter desconfiado quando o posto de saúde do distrito fez Campanha de Vacinação em massa.Eles já deviam saber que havia algo no ar.
Aqui em casa todos pegamos! E pelo menos uma dúzia de conhecidos também.
É um vírus super resistente que te derruba sem dar febre. Faz duas noites que não durmo por causa de uma tosse persistente.Parece que encontrei um xarope que vai resolver as coisas, foi o único que surtiu algum resultado.
Xarope de beterraba, mel, própolis, chá gengibre...nada adiantou.O sabor do Vick é horrível, mas trás muito conforto, é hoje que eu durmo direito.
Se uma gripe dessas chega à uma aldeia distante, longe do contato com a civilização, dizima todo mundo.
E falando nisso:


Mas como tudo de ruim na vida da gente, logo ela vai embora, e logo também deve florescer a cerejeira do meu quintal!

1.7.17

Na minha vida pessoal sou muito crédula, talvez isso favoreça minha altíssima auto estima.
Se você diz que eu sou linda eu acredito!
O que quase causou um incidente diplomático no final de semana passado, em Maringá.Ao sair de um restaurante com minha mãe, o cara metade tinha ido buscar o carro, um rapaz um pouco mais novo que eu se aproximou e disse:
- Com todo respeito, a senhora é muito linda!
Quando o cara metade chegou ele ainda repetiu e perguntou se éramos parentes.
A resposta foi seca e grossa: - Sou o marido dela.
Neste momento eu já estava entrando no carro e achei prudente nem olhar para trás.
Mas valeu, um elogio desses, em qualquer idade, faz bem para o ego e a alma.
Afinal:
A base da alma está dentro, enquanto a base do ego, o referencial, está sempre fora.
A alma vive em constante gratidão e o ego em eterna insatisfação.
O ego nos estressa enquanto a alma nos harmoniza.
A alma é eterna e o ego passageiro.
A alma é sempre plena e o ego é sempre carente.
A alma nos inspira e o ego nos empurra.
A alma sempre apazigua e o ego perturba.
A alma ama e o ego se apaixona.
Ela nos liberta e ele nos aprisiona.
Ela nos projeta para dentro e para o alto e ele nos leva para fora e para baixo.(...)
(Horivaldo Gomes)

Já na minha vida profissional, por conta dos anos de jornalismo, não acredito em quase nada.
Desconfio de praticamente tudo.
Mas quando dizem que sou linda eu acredito!

28.6.17

Fugindo de palavras como polineuropatia, eletroneuromiografia, velocidade de hemossedimentação e hipoestesia, procuro abrigo na música, ou ainda, na poesia de Mia Couto.
Enquanto espero, escuto.

Para Ti
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
No livro “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”

15.6.17

Fiz as contas e descobri que não faz um ano que não dirijo e sim dois!
No começo não me importava tanto, mas o tempo vai passando e a falta de liberdade de ir e vir , quando e como quero, começa a incomodar.
Minha consulta do dia 13 foi inconclusiva.Por que eu não gosto de ir à médicos novos? Porque eles sempre nos mandam em outros médicos.Conclusão: segunda feira irei a um neurologista.
E neurologistas sempre pedem muitos exames.
Não sei para quê tanto, eu me sinto ótima, só não sinto as pontas dos pés.O que afeta diretamente meu equilíbrio e não me permite ter segurança para dirigir.
Lá vou eu outra vez para uma batelada de exames.
Era tudo que eu não queria!
Tem quem goste, mas eu não.
Eu bem que tento mas tá complicado ser dona das minhas vontades.
Ô Vida, facilita aí.

11.6.17

Shigeru Umebayashi é um compositor japonês, apaixonado por cinema, com participação em mais de 50 filmes.



People moving all the time 
Inside a perfectly straight line 
Don't you wanna just curve away?




O fato de amar os desenhos do Studio Ghibli não significa que eu não goste da Disney!
Tem lugar para todos no meu gostar.

9.6.17

Vou dormir pensando na frase que li hoje:

"Ninguém sabe ao certo o impacto que causamos na vida dos outros"

Sabe que eu não sei...


8.6.17

Não vivo sem música, ela alimenta minha alma.
E depois de assistir a série Seyit ve Sura, super melodramática, fiquei ainda mais emotiva.
Ok, uma coisa parece não ter ligação com a outra, mas tem!
O veículo é a música e a relação é o lugar para onde ela nos transporta.



Aí tenho que abstrair mesmo!

4.6.17

Logo mais eu completo 50 anos...olhando assim não parece tanto, mas é.
O que eu poderia dizer da minha experiência até então?
Meninas, sejam fortes, independentes, "emponderem-se" (está na moda, né?), mas não deixam que percebam o quanto vocês são fortes.
Meu pai sofreu um grave acidente quando eu tinha de 12 para 13 anos de idade.Ele passou 8 meses numa cama hospitalar.Eu tive que aprender a crescer, a ser forte e a não precisar da ajuda dos meus pais.Depois morei sozinha, em seguida voltei para casa e me dediquei aos estudos como faculdade, cursos, estágios e etc.Foram muitos e meu muito bem em tudo o que fiz.
Fui ganhando força, muita força!Assim as pessoas me viam e assim eu queria ser vista.Desde a minha bisavó russa era inadmissível demonstrar fraqueza dentro e fora de casa.Isso deve ser parte do orgulho eslavo.
Hoje, quando algo de ruim acontece sou eu quem abraça os outros, quando na verdade eu é precisaria ser abraçada.
Não é porque eu aguento bem, que eu não sofro. Aí tem relação com o que eu sinto e não com a forma como eu reajo.
Minha armadura é de ferro, mas meu coração, de melão.


Mas como dizia meu pai:
- Deixa prá lá!


28.5.17

Dearest belly button...achei bem mais sonoro do que : Querido umbigo.
Estou ansiosa, contando os dias para minha consulta com a acupunturista. Faltam 16 dias para iniciar um novo processo na tentativa de voltar a dirigir e andar sem auxílio.
Ou melhor, primeiro voltar a andar como todo mundo e depois dirigir, que é algo que eu sinto muita, mas muita falta mesmo.
Hoje amanheceu um dia lindo, ensolarado, radiante!
Eu queria poder pegar o carro e seguir alguns quilômetros pela estrada, com os cabelos ao vento (eu costumava secá-los assim), escutando minhas músicas favoritas.Com outra pessoa no volante não é a mesma coisa.Sempre vi o carro como uma extensão das minhas pernas, me levando aonde eu dificilmente iria chegar sozinha em tão pouco tempo.Já se passaram quase dois anos...


Mas enfim, uma luz no fim do túnel se manifesta, embora ainda muito discretamente.
E otimismo é uma das minhas melhores qualidades!!!

21.5.17

A chuva nos deixa mais melancólicos e para completar desde ontem eu só escuto o Ivan Lins com a Orquestra de Câmara da ULBRA:



Esta versão de Bilhete é de transbordar o balde:

20.5.17

Blue Jay (2016) é um filme que traduz facilmente algumas relações da minha geração.
Uma produção modesta, equipe reduzida, encenada e escrita por Mark Duplass. Praticamente um filme feito em casa que vai agradar exatamente quem entende o que ele está dizendo.Com apenas dois personagens e uma pequena participação de Clu Gulager.
Em alguns momentos parece que estamos revendo aquelas fitas em VHS que guardamos por anos em caixas de papelão já desbotadas pelo tempo.Ou então as fitas K7 guardadas com aquelas cartas que nunca tivemos coragem de jogar fora.
Como roteirista eu cortaria alguns diálogos pela metade, em alguns momentos eles são prolixos.
Gostei de assistí-lo.Ele é um resgate de um amor romântico, na verdade daquele primeiro amor significativo na vida de uma pessoa.Dos planos e dos sonhos que construíram juntos quando na verdade não existiam perspectivas para que eles se concretizassem.Mas o romantismo permitia isto.
Não vejo mais este tipo de relacionamento nos dias de hoje.
Todo o contexto traduz o que vivemos, ou então, que poderíamos ter vivido.
Filme indicado para pessoas que nasceram entre 1950 e 1970 e que em algum momento experimentaram um grande amor que parecia que seria para sempre (e que de alguma forma manteve-se vivo).



Como seria encontrar um grande amor depois de 20 anos?

15.5.17

De março prá cá sei que parei no tempo.
Muitas pessoas tiram o ano sábatico, eu estou num tipo de semestre pós traumático.
Perder um pai assim tão presente é uma porrada forte.
A saudade dói pacas.
O trabalho está no piloto automático e o meu momento pessoal é bem introspectivo.
- Atenção senhores passageiros, por favor afivelem os cintos e mantenham a calma.Sobreviveremos todos!!!
Nem é uma fase tão ruim assim, tenho tido tempo para refletir sobre meus últimos anos e estou criando coragem, e ganhando forças, para mudar aquilo que precisa ser melhorado em mim.
Estou relendo velhos livros que ganhavam pó nas prateleiras.
Marquei uma médica acupunturista para o próximo mês.Gosto muito da medicina oriental e andava um tanto afastada dela.
Ando até dizendo alguns "nãos" necessários.
E ando pensando que a vida deve ser muito mais bem aproveitada, pois ela sempre é curta!


11.5.17

É muita calmaria para o meu gosto!
O país está parado.Os índices de inflação apontam uma leve queda, mas é claro, ninguém está comprando nada.Os que estão empregados levantam as mãos para os céus agradecendo e os que não estão continuam rezando.Por mais que eu queira um Estado laico, só por Deus mesmo.
Não combino muito bem com compasso de espera, sou uma pessoa de urgências.
E também não gosto muito de ver o que meu país se tornou.
Quanto mais eu penso menos soluções encontro.
Busco a calma em alguns lugares e conceitos, como no budismo.Até meditar é difícil demais quando meu cérebro anda dando tratos a bolas para sair da estagnação.
Música e os filmes também me distraem um pouco, melhor ainda se estiverem relacionados.



Se não, não tem problema também.
Preciso mesmo é dar descanso à minha parte pensante.

6.5.17

Eu tenho um problema...perco o sono, como muitas outras pessoas, aí tomo café, lavo louça e me distraio jogando no computador enquanto escuto Rita Lee.
Depois, motivada pela publicação de um amigo e pelo programa de ontem à noite sobre a Sicília, assisto novamente, acho que pela terceira ou quarta vez, "Stromboli", do Roberto Rossellini.
Filmão, com uma fotografia que marca presença.
Talvez perder o sono não seja um problema.
E ao final da manhã acabo mesmo é ouvindo repetidamente o Bocelli :

1.5.17

Darjeeling não é somente o nome de um dos tipos de chá que mais aprecio.
É também o nome de uma cidade cheia de modestos encantos e muita espiritualidade. Talvez um pouco tranquila demais para a pequena Vivien Leigh, que aos seis anos de idade foi enviada para uma escola católica na Inglaterra.
Visitar Darjeeling ficará certamente para uma próxima encarnação.Enquanto isto contento-me com uma boa xícara de chá!

  Foto: Justin Guariglia


30.4.17

Hoje damos adeus a Belchior.
Um homem que tive o prazer de entrevistar, por algumas horas, lá por 1990.Passados os primeiros 60 minutos lembro do meu diretor batendo no vidro do estúdio, depois de gesticular um bocado.
Mas Belchior tinha tanto para falar e falava com tanta propriedade sobre as coisas da vida que eu não achava justo interrompê-lo.E isso porque haviam me dito que ele falava pouco.
Foi uma das melhores entrevistas que fiz na minha carreira de jornalista e foi impactante, à noite não conseguia dormir, suas palavras ecoavam em meus ouvidos. Era muita informação, muito conteúdo de uma só vez, para uma garota de 23 anos.
Sua alma, enfim, encontrou o descanso merecido!

18.4.17

Ainda choro, pouco, mas choro e porque dói, dor de saudade, não de tristeza.
Mas o bom é que já faço planos!
Assim que possível, pai, vamos almoçar naquela praia que você ama de paixão:


Talvez no seu aniversário no próximo ano, porque neste ainda temos muito trabalho pela frente e ainda algumas arestas para acertar.
Aonde não cabe revolta, porque você me ensinou a deixar para lá, sobram força e determinação.
Muito mais força!

16.4.17

Os dias vão passando e o coração vai ficando mais leve...

8.4.17

Ontem foi dia de levar meu pai para o Cemitério, dizer enterrar eu acho um tanto tosco.
Ele não queria ser cremado e respeitamos a sua vontade.
Depois de uma semana no hospital vou dizer uma coisa, os médicos não sabem de nada, possuem uma leve noção de como as coisas acontecem.Por mais boa vontade que tenham não operam milagres e nem conseguem saber com precisão tudo o que está acontecendo dentro do corpo do paciente. É mais um jogo de tentativa e erro.
E ainda tem gente que os compara a deuses, alguns até se acham, mas vamos dissociar estes esteriótipos, deuses são deuses e médicos são médicos.
Ontem percebi, por conversas paralelas, que algumas pessoas tentam incutir-lhes culpa.Isto também não existe!
Meu pai partiu bem consciente de que seu tempo aqui estava chegando ao fim.Esse discernimento sobre a finitude da vida é acalentador.Foi uma despedida breve, tranquila e tristinha.
Porque o muito amar carrega consigo a dor da separação.
Tratei de trazer-lhe logo para perto de mim!
O que vale, depois de tudo, é o amor que ficou.
E este é muito!!!



  

4.4.17

Com o peito extremamente dolorido diante de tanto sofrimento pelo qual meu amado pai está passando só posso dizer que estou à espera de um milagre!
É certo que eles existem...
Só não quero mais que ele sofra.As próximas 48 horas serão decisivas.
A pior parte é não poder estar ao seu lado naquele leito frio e escuro da UTI.
Está sendo muito difícil lidar com isto.


2.4.17

Porque tem dias em que precisamos pensar um pouco fora da caixinha...e amar como se não houvesse amanhã.
Aliás essa tem se tornado uma das minhas máximas nos últimos tempos.
Acordo amando a vida, as pessoas, nem todas, mas enfim, a natureza e tudo mais ao meu redor.
Apesar dos percalços estou vivendo uma boa fase interior, estou curtindo muito o meu melhor de mim.
Até quando me emociono e choro, ou deixo escapar algumas poucas lágrimas pelo cantinho interno dos olhos, ando insuperável.
Ainda tenho meus momentos de fúria, poucos, mas precisos e cortantes como uma navalha afiada.
Mas na maior parte do tempo é só amor mesmo!!!

1.4.17

O ambiente hospitalar acaba comigo...principalmente quando atravesso com meus passos lentos e claudicantes a ala infantil.
Nessas horas queria abrir as asas e carregar todos para um outro lugar, nem que fosse só para um breve passeio.



31.3.17

Sim...a cozinha me relaxa.
E como a torta de maçã que eu queria não se materializou na minha frente eu coloquei a mão na massa.Fiz uma tortinha, meio bolo, meio torta, de maçã com nozes.
Não era bem o que queria, eu havia pensado em algo mais calórico...mas deu para acompanhar uma deliciosa xícara de chá preto.



Twinings, of course.The best five o'oclock tea!


E apesar de estar com o coração e a alma divididos entre o hospital e o meu quarto, consegui relaxar o corpo dolorido de tensão.
A cabeça talvez precise de um pouco mais de tempo!
É este tempo que é tão importante e que não podemos deixar escapar por entre os dedos.

26.3.17

Ufa!
Tô cansada...
Alguém me faz bolo de maçã para acompanhar uma reconfortante xícara de chá enquanto escuto Maria Rita?

25.3.17



O tempo passa e um dia a tal da velhice chega...e com os anos vão-se, infelizmente, algumas memórias, além de tudo mais.
Estas últimas semanas tenho revivido muitas coisas enquanto me sento à cabeceira do meu pai.
Me lembro de uma infância feliz, entretanto quando penso no homem que meu pai foi começa a bater uma ponta de tristeza e eu logo mudo o pensamento.
Ele me ensinou sobretudo a ter coragem!
Me ensinou a dar os primeiros passos, a andar de bicicleta sem rodinhas, a atirar, a nadar, a pegar ônibus, trem e avião. Aos dezesseis, foi ele que me ensinou a dirigir, o que teoricamente era, e ainda é, proibido.
Me ensinou a fazer pipa, pizza, poesia e a ajudar, muito, os outros.
Desde muito cedo, sempre que viajava, me mandava postais.Apesar de jornalista era um homem de poucas palavras no convívio diário.Muito mais demonstrava do que falava.
Agora passa os dias e as noites numa cama e falando, ainda, muito pouco.Mesmo um tanto esquecido não perde o bom humor e me olha ainda com todo o carinho que sempre me dispensou em abundância.
Hoje foi um pouco mais difícil dizer boa noite...
Cheguei em casa, mal comi e vim me abrigar no computador conectado à internet para escutar músicas que me trazem boas lembranças!!!
Sabe, nessas horas, ter sido muito amada faz uma diferença do cacete.

18.3.17

A perda da lucidez é algo que eu nunca havia presenciado até agora.Nao estou falando daqueles arroubos, rompantes que nos afetam algumas vezes durante a vida.
Estou falando do olhar vago, distante, a fala baixa intercalada com efusivas manifestações de alegria.
Me refiro àquela situação em que perdemos a capacidade de decisão.Estou falando da incapacidade de reconhecer o amar, o sentir-me amado, cuidado e do medo injustificado que isto provoca.
Falo daqueles momentos em que não há fome, não há sede, não há nada.
Estou falando do meu pai, que alterna momentos devastadores de ausência, confusão e infantilidade com momentos de extrema lucidez.
Só que seu cérebro não avisa em que modo vai estar a cada manhã.
Honestamente isto detona o nosso emocional. É uma montanha russa sem freio, que está rodando sem parar há semanas!


13.3.17

Uma sobremesa que gosto bastante tem um nome bem sugestivo em Portugal: Molotov.


Meu Shangri-la é definitivamente em terras lusitanas!!!

8.2.17

Sim, é possível!
Do outro lado do Atlântico encontrei, no Stanislav, em Lisboa, os melhores varenikis que já provei.
Eles têm sabor de casa de vó.




22.1.17

Linda versão:


2017 - o ano da colheita e o ano prá falar das coisas boas...
Hoje chove à cântaros, mas consegui uns bons dias para colocar o pé na areia e descansar!



Esta semana entreguei meu trabalho fotográfico do final do ano.
Ficou sensacional!!!





                                      



Logo mais me entregarei de corpo e alma às minhas merecidas férias..aqueles bons dias foram somente uma prévia.
Enquanto isso vou levando a vida da melhor forma possível!
Afinal, somos os únicos responsáveis pela nossa felicidade, basta querer!


10.1.17

A coisa tá feia...a intolerância das pessoas com as opiniões alheias beira o absurdo.
Sem contar que nunca vi tanta gente do contra como ultimamente.
Isso é grave, reflete uma profunda insatisfação.
A palavra que melhor define as atuais relações interpessoais é fragilidade.

2.1.17

Moro numa cidade com alto índice de violência, em grande parte por conta do consumo excessivo de drogas, principalmente nos centros universitários, o que acaba alimentando e enriquecendo o poder paralelo.
Fora isso, a cidade com proporções metropolitanas, gera no cidadão uma sensação de grandeza, de superioridade, que aliada à falta de segurança generalizada, promove uma combinação explosiva.
E ainda tem aqueles sujeitos naturalmente descompensados como o que matou onze pessoas na noite de ano novo num pacato bairro da cidade. 
Eu não conhecia diretamente os envolvidos, mas poderia, porque a cidade parece mas não é tão grande assim.O fato de não conhecê-los não diminui o tamanho da barbárie.
As pessoas estão perdendo a noção de certo e errado, embora ninguém seja dono absoluto da verdade existem algumas normas de conduta que todos deveríamos seguir.
Sempre defendi a liberdade de expressão, mas tem muita gente abusando dos seus "direitos".
Aqui o desrespeito anda passando dos limites e não faço a mínima idéia de como este processo pode ser revertido.
O negócio é aprender a viver nesta nova e assustadora realidade.
E tirar umas férias...ainda bem que as minhas estão próximas!!!