21.5.17

A chuva nos deixa mais melancólicos e para completar desde ontem eu só escuto o Ivan Lins com a Orquestra de Câmara da ULBRA:



Esta versão de Bilhete é de transbordar o balde:

20.5.17

Blue Jay (2016) é um filme que traduz facilmente algumas relações da minha geração.
Uma produção modesta, equipe reduzida, encenada e escrita por Mark Duplass. Praticamente um filme feito em casa que vai agradar exatamente quem entende o que ele está dizendo.Com apenas dois personagens e uma pequena participação de Clu Gulager.
Em alguns momentos parece que estamos revendo aquelas fitas em VHS que guardamos por anos em caixas de papelão já desbotadas pelo tempo.Ou então as fitas K7 guardadas com aquelas cartas que nunca tivemos coragem de jogar fora.
Como roteirista eu cortaria alguns diálogos pela metade, em alguns momentos eles são prolixos.
Gostei de assistí-lo.Ele é um resgate de um amor romântico, na verdade daquele primeiro amor significativo na vida de uma pessoa.Dos planos e dos sonhos que construíram juntos quando na verdade não existiam perspectivas para que eles se concretizassem.Mas o romantismo permitia isto.
Não vejo mais este tipo de relacionamento nos dias de hoje.
Todo o contexto traduz o que vivemos, ou então, que poderíamos ter vivido.
Filme indicado para pessoas que nasceram entre 1950 e 1970 e que em algum momento experimentaram um grande amor que parecia que seria para sempre (e que de alguma forma manteve-se vivo).



Como seria encontrar um grande amor depois de 20 anos?

15.5.17

De março prá cá sei que parei no tempo.
Muitas pessoas tiram o ano sábatico, eu estou num tipo de semestre pós traumático.
Perder um pai assim tão presente é uma porrada forte.
A saudade dói pacas.
O trabalho está no piloto automático e o meu momento pessoal é bem introspectivo.
- Atenção senhores passageiros, por favor afivelem os cintos e mantenham a calma.Sobreviveremos todos!!!
Nem é uma fase tão ruim assim, tenho tido tempo para refletir sobre meus últimos anos e estou criando coragem, e ganhando forças, para mudar aquilo que precisa ser melhorado em mim.
Estou relendo velhos livros que ganhavam pó nas prateleiras.
Marquei uma médica acupunturista para o próximo mês.Gosto muito da medicina oriental e andava um tanto afastada dela.
Ando até dizendo alguns "nãos" necessários.
E ando pensando que a vida deve ser muito mais bem aproveitada, pois ela sempre é curta!


11.5.17

É muita calmaria para o meu gosto!
O país está parado.Os índices de inflação apontam uma leve queda, mas é claro, ninguém está comprando nada.Os que estão empregados levantam as mãos para os céus agradecendo e os que não estão continuam rezando.Por mais que eu queira um Estado laico, só por Deus mesmo.
Não combino muito bem com compasso de espera, sou uma pessoa de urgências.
E também não gosto muito de ver o que meu país se tornou.
Quanto mais eu penso menos soluções encontro.
Busco a calma em alguns lugares e conceitos, como no budismo.Até meditar é difícil demais quando meu cérebro anda dando tratos a bolas para sair da estagnação.
Música e os filmes também me distraem um pouco, melhor ainda se estiverem relacionados.



Se não, não tem problema também.
Preciso mesmo é dar descanso à minha parte pensante.

6.5.17

Eu tenho um problema...perco o sono, como muitas outras pessoas, aí tomo café, lavo louça e me distraio jogando no computador enquanto escuto Rita Lee.
Depois, motivada pela publicação de um amigo e pelo programa de ontem à noite sobre a Sicília, assisto novamente, acho que pela terceira ou quarta vez, "Stromboli", do Roberto Rossellini.
Filmão, com uma fotografia que marca presença.
Talvez perder o sono não seja um problema.
E ao final da manhã acabo mesmo é ouvindo repetidamente o Bocelli :

1.5.17

Darjeeling não é somente o nome de um dos tipos de chá que mais aprecio.
É também o nome de uma cidade cheia de modestos encantos e muita espiritualidade. Talvez um pouco tranquila demais para a pequena Vivien Leigh, que aos seis anos de idade foi enviada para uma escola católica na Inglaterra.
Visitar Darjeeling ficará certamente para uma próxima encarnação.Enquanto isto contento-me com uma boa xícara de chá!

  Foto: Justin Guariglia


30.4.17

Hoje damos adeus a Belchior.
Um homem que tive o prazer de entrevistar, por algumas horas, lá por 1990.Passados os primeiros 60 minutos lembro do meu diretor batendo no vidro do estúdio, depois de gesticular um bocado.
Mas Belchior tinha tanto para falar e falava com tanta propriedade sobre as coisas da vida que eu não achava justo interrompê-lo.E isso porque haviam me dito que ele falava pouco.
Foi uma das melhores entrevistas que fiz na minha carreira de jornalista e foi impactante, à noite não conseguia dormir, suas palavras ecoavam em meus ouvidos. Era muita informação, muito conteúdo de uma só vez, para uma garota de 23 anos.
Sua alma, enfim, encontrou o descanso merecido!

18.4.17

Ainda choro, pouco, mas choro e porque dói, dor de saudade, não de tristeza.
Mas o bom é que já faço planos!
Assim que possível, pai, vamos almoçar naquela praia que você ama de paixão:


Talvez no seu aniversário no próximo ano, porque neste ainda temos muito trabalho pela frente e ainda algumas arestas para acertar.
Aonde não cabe revolta, porque você me ensinou a deixar para lá, sobram força e determinação.
Muito mais força!

16.4.17

Os dias vão passando e o coração vai ficando mais leve...

8.4.17

Ontem foi dia de levar meu pai para o Cemitério, dizer enterrar eu acho um tanto tosco.
Ele não queria ser cremado e respeitamos a sua vontade.
Depois de uma semana no hospital vou dizer uma coisa, os médicos não sabem de nada, possuem uma leve noção de como as coisas acontecem.Por mais boa vontade que tenham não operam milagres e nem conseguem saber com precisão tudo o que está acontecendo dentro do corpo do paciente. É mais um jogo de tentativa e erro.
E ainda tem gente que os compara a deuses, alguns até se acham, mas vamos dissociar estes esteriótipos, deuses são deuses e médicos são médicos.
Ontem percebi, por conversas paralelas, que algumas pessoas tentam incutir-lhes culpa.Isto também não existe!
Meu pai partiu bem consciente de que seu tempo aqui estava chegando ao fim.Esse discernimento sobre a finitude da vida é acalentador.Foi uma despedida breve, tranquila e tristinha.
Porque o muito amar carrega consigo a dor da separação.
Tratei de trazer-lhe logo para perto de mim!
O que vale, depois de tudo, é o amor que ficou.
E este é muito!!!



  

4.4.17

Com o peito extremamente dolorido diante de tanto sofrimento pelo qual meu amado pai está passando só posso dizer que estou à espera de um milagre!
É certo que eles existem...
Só não quero mais que ele sofra.As próximas 48 horas serão decisivas.
A pior parte é não poder estar ao seu lado naquele leito frio e escuro da UTI.
Está sendo muito difícil lidar com isto.


2.4.17

Porque tem dias em que precisamos pensar um pouco fora da caixinha...e amar como se não houvesse amanhã.
Aliás essa tem se tornado uma das minhas máximas nos últimos tempos.
Acordo amando a vida, as pessoas, nem todas, mas enfim, a natureza e tudo mais ao meu redor.
Apesar dos percalços estou vivendo uma boa fase interior, estou curtindo muito o meu melhor de mim.
Até quando me emociono e choro, ou deixo escapar algumas poucas lágrimas pelo cantinho interno dos olhos, ando insuperável.
Ainda tenho meus momentos de fúria, poucos, mas precisos e cortantes como uma navalha afiada.
Mas na maior parte do tempo é só amor mesmo!!!

1.4.17

O ambiente hospitalar acaba comigo...principalmente quando atravesso com meus passos lentos e claudicantes a ala infantil.
Nessas horas queria abrir as asas e carregar todos para um outro lugar, nem que fosse só para um breve passeio.



31.3.17

Sim...a cozinha me relaxa.
E como a torta de maçã que eu queria não se materializou na minha frente eu coloquei a mão na massa.Fiz uma tortinha, meio bolo, meio torta, de maçã com nozes.
Não era bem o que queria, eu havia pensado em algo mais calórico...mas deu para acompanhar uma deliciosa xícara de chá preto.



Twinings, of course.The best five o'oclock tea!


E apesar de estar com o coração e a alma divididos entre o hospital e o meu quarto, consegui relaxar o corpo dolorido de tensão.
A cabeça talvez precise de um pouco mais de tempo!
É este tempo que é tão importante e que não podemos deixar escapar por entre os dedos.

26.3.17

Ufa!
Tô cansada...
Alguém me faz bolo de maçã para acompanhar uma reconfortante xícara de chá enquanto escuto Maria Rita?

25.3.17



O tempo passa e um dia a tal da velhice chega...e com os anos vão-se, infelizmente, algumas memórias, além de tudo mais.
Estas últimas semanas tenho revivido muitas coisas enquanto me sento à cabeceira do meu pai.
Me lembro de uma infância feliz, entretanto quando penso no homem que meu pai foi começa a bater uma ponta de tristeza e eu logo mudo o pensamento.
Ele me ensinou sobretudo a ter coragem!
Me ensinou a dar os primeiros passos, a andar de bicicleta sem rodinhas, a atirar, a nadar, a pegar ônibus, trem e avião. Aos dezesseis, foi ele que me ensinou a dirigir, o que teoricamente era, e ainda é, proibido.
Me ensinou a fazer pipa, pizza, poesia e a ajudar, muito, os outros.
Desde muito cedo, sempre que viajava, me mandava postais.Apesar de jornalista era um homem de poucas palavras no convívio diário.Muito mais demonstrava do que falava.
Agora passa os dias e as noites numa cama e falando, ainda, muito pouco.Mesmo um tanto esquecido não perde o bom humor e me olha ainda com todo o carinho que sempre me dispensou em abundância.
Hoje foi um pouco mais difícil dizer boa noite...
Cheguei em casa, mal comi e vim me abrigar no computador conectado à internet para escutar músicas que me trazem boas lembranças!!!
Sabe, nessas horas, ter sido muito amada faz uma diferença do cacete.

18.3.17

A perda da lucidez é algo que eu nunca havia presenciado até agora.Nao estou falando daqueles arroubos, rompantes que nos afetam algumas vezes durante a vida.
Estou falando do olhar vago, distante, a fala baixa intercalada com efusivas manifestações de alegria.
Me refiro àquela situação em que perdemos a capacidade de decisão.Estou falando da incapacidade de reconhecer o amar, o sentir-me amado, cuidado e do medo injustificado que isto provoca.
Falo daqueles momentos em que não há fome, não há sede, não há nada.
Estou falando do meu pai, que alterna momentos devastadores de ausência, confusão e infantilidade com momentos de extrema lucidez.
Só que seu cérebro não avisa em que modo vai estar a cada manhã.
Honestamente isto detona o nosso emocional. É uma montanha russa sem freio, que está rodando sem parar há semanas!


13.3.17

Uma sobremesa que gosto bastante tem um nome bem sugestivo em Portugal: Molotov.


Meu Shangri-la é definitivamente em terras lusitanas!!!

8.2.17

Sim, é possível!
Do outro lado do Atlântico encontrei, no Stanislav, em Lisboa, os melhores varenikis que já provei.
Eles têm sabor de casa de vó.




22.1.17

Linda versão:


2017 - o ano da colheita e o ano prá falar das coisas boas...
Hoje chove à cântaros, mas consegui uns bons dias para colocar o pé na areia e descansar!



Esta semana entreguei meu trabalho fotográfico do final do ano.
Ficou sensacional!!!





                                      



Logo mais me entregarei de corpo e alma às minhas merecidas férias..aqueles bons dias foram somente uma prévia.
Enquanto isso vou levando a vida da melhor forma possível!
Afinal, somos os únicos responsáveis pela nossa felicidade, basta querer!


10.1.17

A coisa tá feia...a intolerância das pessoas com as opiniões alheias beira o absurdo.
Sem contar que nunca vi tanta gente do contra como ultimamente.
Isso é grave, reflete uma profunda insatisfação.
A palavra que melhor define as atuais relações interpessoais é fragilidade.

2.1.17

Moro numa cidade com alto índice de violência, em grande parte por conta do consumo excessivo de drogas, principalmente nos centros universitários, o que acaba alimentando e enriquecendo o poder paralelo.
Fora isso, a cidade com proporções metropolitanas, gera no cidadão uma sensação de grandeza, de superioridade, que aliada à falta de segurança generalizada, promove uma combinação explosiva.
E ainda tem aqueles sujeitos naturalmente descompensados como o que matou onze pessoas na noite de ano novo num pacato bairro da cidade. 
Eu não conhecia diretamente os envolvidos, mas poderia, porque a cidade parece mas não é tão grande assim.O fato de não conhecê-los não diminui o tamanho da barbárie.
As pessoas estão perdendo a noção de certo e errado, embora ninguém seja dono absoluto da verdade existem algumas normas de conduta que todos deveríamos seguir.
Sempre defendi a liberdade de expressão, mas tem muita gente abusando dos seus "direitos".
Aqui o desrespeito anda passando dos limites e não faço a mínima idéia de como este processo pode ser revertido.
O negócio é aprender a viver nesta nova e assustadora realidade.
E tirar umas férias...ainda bem que as minhas estão próximas!!!