26.5.20

Eu gosto de frio? AMO...
mas preciso contar a verdade: levo uns dias para me adaptar.
Aí preciso recorrer aos chás e sopas.
Mas está ótimo assim!
Hoje no plantão achei minha equipe bem mais calma, e num sentido extremamente positivo.
Alguns clientes andam um tanto fora da caixinha, com umas idéias muito estranhas, aparentemente criadas à partir do medo da morte, mas isso me parece que é geral.
O importante é que todos que conheço estão aparentemente muito bem!
E que ando abraçando-os, mentalmente, todos os dias.
Os que pegaram o vírus se recuperaram e a maioria, se pegou, não sabe.
Vamos seguindo em frente, com muito amor e abraços em pensamento!

 

24.5.20

Tem dias que são praticamente assim: dancing with myself.
E também não vejo problema nisso.
É bom termos o nosso tempo.
Minha própria companhia se faz necessária várias vezes ao longo do dia.
Penso demais então preciso de alguns momentos para não pensar em nada e reorganizar minhas idéias.

22.5.20

Confesso que pareço uma montanha russa.
E hoje minha trilha sonora para a meia quarentena de Covid está assim:



Sou de uma geração aonde as mulheres se livraram de muitos tabus, mais do que dos estigmas como tanto falam por aí.
Venho de uma família com características fortemente matriarcais: uma bisavó, uma avó e uma mãe com presenças muito marcantes.
Então foi fácil ser uma das primeiras da turma a dirigir, trocar pneu, viajar sozinha e etc.
E fazer sexo antes do casamento então...isso hoje não parece nada, mas há 30 e tantos anos atrás ainda era mal visto.
Mas eu era moderna, eu lia muito e via todo e qualquer tipo de filme, sem censura.
O último tango em Paris e 9 e meia semanas de amor foram alguns deles, embora eu prefira os 30 dias de Doce Novembro.
A coisa da culpa católica apostólica romana não existia em casa.
E por essas e outras sou muito grata pelos pais que recebi de presente nesta vida.

20.5.20

Un oceano di silenzio

Na última noite perdi o sono outra vez, afinal hoje era dia de ir ao escritório. Sempre soube o que dizer, o que fazer, o que pensar. E agora, nada, quando procuro respostas encontro um oceano de silêncio.



Resolvi então me dedicar um pouco à contemplação.
Sentei-me ao lado do túmulo do meu pai e não pensei em nada, escutei o tempo passar.
E assim encontrei a paz que eu procurava.
Minha alma está mais leve, talvez hoje eu durma a noite inteira.

17.5.20

Como manter a dieta de baixo carboidrato se a pessoa está cozinhando como nunca?
Até faço pratos low carb e muita salada, mas o conforto de um amido é quase tudo nessas horas de incertezas e preocupações.
Na sexta à noite, naquele friozinho gostoso, preparei uma polenta mole com fubá pré cozido finalizada com parmesão, um ragú de carne perfeito e brócolis saudáveis para acompanhar.Não gosto muito de polenta mas faço uma que beira a perfeição, o segredo é mexer bastante, até doer o braço, praticamente uns 10 minutos.Já conta como exercício.
Ontem preparei um prato que meu pai gostava muito: frangada.


Não, não é aquela galinhada branca, com aquele arroz mole.É um prato que se aproxima mais de uma paella.
Você começa, com muita paciência, selando os pedaços de frango temperados (uso vinagre, sal, páprica, louro e lemon pepper) na noite anterior em um fundo de óleo na panela.Não é para fritar em imersão e sim selar em menos óleo.Isso vai levar em torno de meia hora, ou mais.
Daí você retira o frango da panela e coloca de uma a duas cebolas picadas grosseiramente para refogar até o ponto de ficarem transparentes.Coloque então meio pimentão vermelho picado em pedaços grandes e deixe refogar um pouco com a cebola.Em seguida acrescente, salsão picado, ou sal de aipo, ou ainda alho poró, 2 tomates picados e uma xícara de cheiro verde.Adicione metade da água que você usaria para cozinhar duas xícaras de arroz, em torno de uma xícara e meia.Acerte o sal, coloque duas colheres de sopa de extrato de tomate (opcional, aqui é só para realçar a cor) e duas xícaras de arroz.Mexa bem e volte o frango para a panela.Complete com o restante da água (a outra uma xícara e meia) e deixe cozinhar em fogo baixinho.
Isso tudo é comida que alimenta não só o corpo como a alma.   

11.5.20

Essa coisa toda de pandemia, reclusão e isolamento social mexe com a cabeça da gente mesmo.
No sábado que passou acordei com meu pai me dando bom dia e usando um apelido fofo que só ele usava: Carluxa. Como ninguém mais me chamava assim tomei um susto.Levei um tempo para processar a informação de que devo ter sonhado.
Confesso que passei o dia inteiro meio tristinha, calada, por conta de tanta saudade.
Minha sorte é que teve live da Juliana, irmã da minha querida amiga Cris.Foi o que levantou o meu ânimo. O assunto foi nutrição em tempos de Covid 19. É bom demais interagir com outras pessoas nesta fase de grandes e pequenas ausências.Principalmente quando são pessoas com uma excelente vibração.Enquanto não sabemos como será o dia de amanhã e nem o que é verdade ou não, gosto da idéia de compartilhar palavras e afetos.
Nessas trocas percebi que poucas pessoas do meu convívio me chamam somente pelo meu nome, muitos me chamam carinhosamente pelo diminutivo, outros pelo nome da princesa do Brasil que era também o nome da minha avó, ou ainda pelo nome de uma pedra preciosa, alguns poucos e mais íntimos, pelo nome do ingrediente principal do chocolate e até por um nome de verdura, Escarola, ou ainda Carola, coisa que estou longe de ser.
É divertido isso, mostra que você é realmente uma pessoa em particular para cada um deles.
E você que está me lendo agora? Como costumam te chamar?

8.5.20

Ando cansada de radicalismos de todos os lados.
E quem já era chato, ficou mais chato ainda. As pessoas precisam parar um pouco de pegar no pé de outros, olhem para seus próprios rabos de vez em quando.
Aí me atiro no crochê e na cozinha de corpo e alma.
No trabalho anda tudo relativamente controlado, embora hoje uma boa parte tenha desanimado ao saber que a quarentena, no Estado no São Paulo, vai até 31 de maio. As pessoas sentem falta da rotina, mesmo trabalhando em turnos de 3 a 4 dias por semana.Cansa ter que explicar porque é que tem que ser assim.Dá vontade de jogar tudo para o alto e cada um faz o que bem entender, mas aí o meu senso de responsabilidade não deixa.
Estou farta dos noticiários: o número abaixa, o número aumenta, fecha isso, abre aquilo e agora fecha aquilo e abre isso.
Da mesma forma que não confiamos nos números divulgados pelo governo chinês, também não confio nos nossos números oficiais.
Certamente existe uma margem de erro, para cima ou para baixo.
No interior anda não vemos hospitais lotados e número significativo de óbitos por Covid 19 e nem por outro tipo de causa mortis.
Maio, com a chegada do frio, costuma ser um mês que registra mais óbitos que nos demais meses.Por enquanto os índices são semelhantes aos dos anos anteriores.
Aqui somente cerca de 40% da população está respeitando a quarentena.Mas pelo menos vemos muitas pessoas nas ruas usando máscaras e muito álcool gel nos estabelecimentos sendo disponibilizado para os clientes.
Ainda encontramos por aí, famílias inteiras no mercado, na fila do banco, na padaria, na farmácia e até na porta dos cemitérios, aonde a entrada tem sido limitada a 10 pessoas por vez.
No começo eu me perguntava o que essas crianças estavam fazendo na rua. Depois enxerguei uma possível resposta: sem escolas e avós, com quem é que elas vão ficar?
Os grandes mercados continuam cheios, mas agora as pessoas usam máscaras.
Este ano será como um filme em slow motion, aonde os dias e os meses parecerão mais longos, aonde o tempo parecerá não passar, enquanto o nosso cérebro vai captando tudo à sua volta, sem parar.
Que no ano que vem possamos extravazar tudo o que tivemos que conter neste semestre de 2019!

5.5.20

Durante muitos anos trabalhei em Valinhos.
Um dos vigias da noite, o Sr. Jeová, era casado com a chefe da limpeza.Muitas vezes, quando não dormia durante o dia, levava quitutes para esposa.
Numa dessas vezes eu provei umas rosquinhas que ele fez e à partir daí, toda vez que fazia, levava para mim também. Soube que ele faleceu no ano passado.
Agora à tarde, navegando pelo YouTube, apareceu a receita das tais rosquinhas.
Voltei no tempo e cheguei a sentir na boca o sabor das rosquinhas com café.
Vou guardar esta receita para fazer num dia tranquilo.
Só não faço hoje porque estou um tanto cansada, trabalhei de manhã, no modo hard, e tomei vacina.

4.5.20

Hoje Aldir Blanc nos deixou.
Grande compositor e médico, por formação, foi uma das vítimas da Covid 19 no Brasil.
Compôs mais de 600 músicas, como O Bêbado e a Equilibrista.
Minha favorita dele é esta, produzida em parceria com Cristovão Bastos, um bolerão de tirar o fôlego, eternizado na voz de Nana Caymmi :


Faixa bônus:

27.4.20

Sai cedo hoje para verificar o trabalho de campo. Chegando no escritório descobri que estávamos sem internet e telefone.Fiz o que deu e vim embora.
Em casa, também sem internet, telefone e televisão.
Estava agitada, pois dormi muito bem a noite que passou e acordei cheia de energia.
Vim prá cozinha!
Pré preparei o jantar e fiz brownie.
Não é por nada não, mas ficou divino.


Vai aí a receita simples e com poucos ingredientes:
3 colheres de sopa de manteiga derretida
1 xícara rasa de chocolate em pó
2 ovos inteiros bem batidos
1 xícara cheia de açúcar demerara
1 xícara rasa de farinha de trigo
1 colher de sobremesa rasa de fermento em pó.
Derreta a manteiga e misture o chocolate em pó à ela.
Numa vasilha bata bem os ovos, eu usei o Mixer.
Acrescente o açúcar, a mistura de chocolate e as farinhas aos poucos.
No final usei a colhe de pau para misturar.
Por último adicionei o fermento.Tem quem não use, mas eu gosto quando o brownie sobe e desce no forno, formando uma casquinha crocante.
Coloque numa forma pequena e baixa e leve ao forno pre aquecido, 180 graus, por aproximadamente 25 minutos.

23.4.20

No começo eu iria trabalhar, presencialmente, somente duas vezes por semana, agora já são três.
Assim que começou a quarentena me programei para escrever, pintar, cantar, experimentar novas receitas e fazer muito crochê. Putz, não passei de um tapete de quarto e um suporte de panela.Tenho ainda na fila, uma colcha, uma blusa azul linda, um cachecol para minha afilhada e um gorro muito legal!
Eu amo o frio e tudo relacionado a ele.
Uma caneca de chocolate quente aquece as mãos, o corpo, a alma e o coração.
Algo bem particular meu é que só tomo leite se for com chocolate e no inverno.E o tempo tem que estar bem frio, ou seja, no máximo uns 10 dias por ano.
Quando leio que ontem, em plena primavera européia, nevou na Serra da estrela, em Portugal, meu coração até bateu mais forte.
Vendo uma notícia aqui e alí me dou conta que ainda não fui para Bom Jardim da Serra/SC, acessível através da Serra do Rio do Rastro. Acabando essa pandemia preciso corrigir essa falha.
Isso sem falar no Chile.
Se nós estamos presos, nossos sonhos não estão.

21.4.20

Coisa boa ter chegado cedo em casa.
No trabalho, hoje, atendemos uma moça cujo pai se matou na noite de ontem.
Se ele tivesse idéia de como ela ficaria, ele nunca teria feito isso.
O suicídio, na vida real, é bem mais assustador.
Mais tarde, no aconchego da minha cozinha, fiquei feliz por poder contar com a companhia do meu filho e da namorada. Eles queriam cachorro quente, com direito a molho, milho, ervilha e batata palha, mais politicamente incorreto impossível.
Mas quantas vezes na vida poderemos fazer isso?
O dia foi pesado, eu merecia me dar uma pausa, não pensar em nada, não me preocupar com coisa alguma, simplesmente viver o instante, curtir, rir e amar os outros como a mim mesma.
Na bagunça quebramos um copo, e daí?
Depois de comer, ainda plena de felicidade, assisti a "live" do Oswaldo Montenegro, no YouTube.
Ele cantou essa música, que não é das minhas favoritas dele, mas hoje veio traduzir tudo o que precisa ser dito vez ou outra:

19.4.20

Já disse aqui que acho que essa moça canta bem e que tem uma voz que eu gosto muito!

Amanhã e terça vou trabalhar.
Nem dá prá reclamar afinal são tantos dias em casa.
Ainda penso que sair de casa é flertar com o perigo.
Infelizmente esta semana não terei como deixar passar.Com tanta tecnologia, algumas coisas pedem a sua presença física: é a segurança na fala, o olhar algumas vezes firme e outras mais compreensivo e etc.
O que mata um pouco a nossa racionalidade é que estamos numa eterna espera por algo que não sabemos quando virá, ou mesmo se já chegou.
A onda ainda é uma marolinha.
Sinto que estamos naquele período de silêncio que antecede a tempestade. Nos filmes de terror é nessa hora que as pessoas se dão mal.
Sei que vou ter que repetir a mesma conversa que tenho repetido semanalmente desde antes da quarentena começar: melhor pecar por mais do que por menos. E se não formos tão atingidos, melhor!
Mas as pessoas querem suas vidas de volta!
Humor, segurança, paciência, bom senso, criatividade, vontade...parece que estão todos passeando de montanha russa.
Mas vamos tentar sorrir, né?
O tempo está passando...

15.4.20

Outro dia disse que Bocelli cantando em frente à Catedral de Milão me causou certa angústia, mais por conta das circunstâncias e das imagens, porque, afinal, ele cantou lindamente.
Depois de um bombardeio de notícias disso e daquilo em relação à pandemia, resolvi abstrair um pouco escutando música.
Fuça daqui e dali encontrei um show ao vivo do Bocelli aonde ele interpreta sucessos do cinema.
E me fez um bem danado!


13.4.20

Ontem assisti à live do Andrea Bocelli em Milão.
Não tive condições de comentar, sua versão de Amazing Grace, naquele enorme espaço vazio, com a Catedral de Milão com as portas fechadas ao fundo, me levou às lágrimas.
Costumo reclamar que algumas capitais ficam lotadas de turistas o ano todo, que alguns pontos turísticos se tornaram impraticáveis de visitar. Mas vê-las assim, tão desertas, me causou uma angústia tremenda: nem tanto o Céu, nem tanto a Terra.
São lugares por onde passei, aonde interagi com pessoas que eu nunca havia visto antes.Eu tenho essa facilidade.O cara metade diz que não pode me deixar sozinha um minuto que seja, que logo me vê conversando com alguém. Ele diz que eu tenho um imã de atrair pessoas (e animais).
Quando vou dormir, já cansada, penso em todos que conheço, que estejam seguros e penso também naqueles que estão enfrentando a doença, uma luta entre a vida e a morte. Peço por eles!
Ao acordar tento repassar, mentalmente, tudo o que este processo pode nos trazer de bom. Porque tudo que existe neste mundo tem o lado ruim e o bom, o pior e melhor!
Não podemos perder a capacidade de nos encantarmos.


Precisamos de leveza!


10.4.20

Essa versão, com orquestra, é para escutar com fone de ouvido e esquecer do mundo lá fora:


Pelas minhas poucas andanças por aí, vejo que o medo toma conta de alguns enquanto que outros ignoram a realidade.
A vida e a morte seguem em frente, numa lógica meio desconexa.
Quem fica e quem vai?
Penso que devemos ter cuidado, nos proteger, respeitar o distanciamento, mas como esse vírus realmente funciona? Como nosso sistema imunológico se comporta diante dele?
Tento não pensar muito.
Me sinto nadando de braçada sem olhar para trás e nem para os lados.
Sigo olhando para frente!
Claro que tenho medo, sou humana e tenho uma doença de causa auto imune.
Só não vou deixar que o medo me transforme em presa fácil.
Vamos sair dessa sim e que lá para frente possamos entender melhor o que aconteceu.
E eu venho aqui é para desabafar e conversar melhor com meus silêncios.

9.4.20

Tem dias em que precisamos sair um pouco da caixinha...questão de sobrevivência.
Amanhã eu trabalho, em Araras.
Levo minha dose semanal de lucidez, bom senso e paciência porque as pessoas estão surtando com essa coisa toda.


Acho que principalmente pelo desencontro de informações.
Se o senso comum pode ser resumido, como li por aí, como a idéia de conectar dois ou mais pedaços de informação de uma forma que isso proporcione uma utilização ou significado concreto, então está difícil chegar a ele.
É por isso que temos que abstrair um bocado.

7.4.20

Ontem, depois de três anos da morte do meu pai, um dos seus melhores amigos partiu.
Eles tinham a mesma idade e um pensava muito próximo do que o outro pensava, apesar de um ser advogado e outro dentista.Suas vidas foram pautadas pelo amor que dedicavam aos outros.
Os dois morreram praticamente do mesmo modo: foram internados, passaram por uma cirurgia de hérnia, fizeram uma bronco aspiração e acabaram tendo falência múltipla de orgãos por infecção generalizada.
Meu pai nos deixou no dia 06 de abril de 2017, sendo sepultado no dia 07, assim como o seu, o nosso, querido amigo.
Ontem foi um dia de introspecção.

5.4.20

Por mais humor na quarentena!!!
Não é o fim do mundo, posto que pareça.