12.1.19

A sinopse de "Amar", do diretor espanhol Esteban Crespo, diz que o filme é sobre as loucuras que dois jovens cometem em nome do primeiro amor, se amando como se cada dia fosse o último.
Não, não...é sobretudo sobre o quanto podemos magoar o outro. No primeiro amor reside a total inabilidade de lidar com o sentimento alheio.
O primeiro amor é tão intenso e puro, que dói.
Feliz de quem viveu essas dores e prazeres.
E numa coisa concordamos: ele fica, para sempre!

Gaivotas

"Caro é pensar diferente, 
viver em infinitos, 
voar dias inteiros 
 só aprendendo a voar. 

 Gaivota que se preza 
tem de sentir as estrelas, 
 analisar paraísos, 
conquistar múltiplos espaços."
(Richard Bach)


O livro Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach, já foi considerado uma obra cafona por colegas intelectuais. Hoje ela me cabe bem, Ao estender as mãos para alimentar gaivotas compreendi melhor porque ele escreveu sobre elas, poderia ter utilizado, metaforicamente, qualquer outro animal. Observei-as por horas e bem de pertinho...confesso que me fascinaram...uma paixão arrebatadora, sem explicação.Mas paixões são assim!
Gaivotas andam em bandos, são famintas, algumas voam em pares, como tem também aquela que nunca desce para comer. Sobrevoa o bando lá do alto como se quisesse ser diferente e talvez seja.
À noite, suas asas brancas tornam-se luminosas.Riscam os céus com suavidade e graça.
Seguem em frente, independente do que acontece em torno delas.
São livres, são lindas e me fizeram muito bem!

8.1.19

Casablanca


You must remember this
A kiss is still a kiss
A sigh is just a sigh
The fundamental things apply
As time goes by
And when two lovers woo
They still say I love you
On that you can rely
The world will always welcome lovers
 As time goes by
Moonlight and love songs never out of date
Hearts full of passion, jealousy and hate
Woman needs man
And man must have his mate
That no one can deny
It's still the same old story
The fight for love and glory
A case of do or die
The world will always welcome lovers
As time goes by


6.1.19

Gosto da autenticidade de Ivete Sangalo.
E essa parceria com Caetano e Gil ficou boa demais:




Como dizem hoje em dia: um mulherão da porra!
A vida e suas encruzilhadas deviam não mais me causar estranheza.
Estou sempre tendo que optar.
Teoricamente, agora, as minhas opções à respeito da polineuropatia estão diminuindo.
No último exame de sangue foram encontrados, em uma quantidade bem baixa, anticorpos anti gangliosídeos.
São normalmente, em maior quantidade, relacionados à Síndrome de Guillain-Baré.
Mas meus sintomas clínicos e o caráter crônico não indicam a doença.
No exame do liquor existe um leve aumento de somente uma proteína, o que indica uma leve inflamação sistêmica, mas também nada grave.
Na dúvida, o tratamento indicado, para evitar uma possível progressão, é a Infusão Endovenosa de Imunoglobulinas.
Então, o que me deixa realmente em dúvida é justamente o Se.
Como todo procedimento realizado em hospital, e com supervisão de aparelhos, este também pode causar alguns efeitos não desejados.
Eu posso esperar, a decisão é minha.
Uma parte de mim diz: vai logo lá e resolve, se der certo você terá uma melhor mobilidade, vai voltar a sentir os pés e com isso recuperar o equilíbrio.
Já outra me aconselha: para quê correr riscos se você somente não sente os pés.Vá tirar a sua carteira de habilitação especial e volte a dirigir, o que você precisa é dessa independência.E quanto aos pés, você já está se acostumando a não senti-los.Experimente! Espere alguns meses.

25.12.18

Reflexão pós Natal!
Tem surgido tantas boas surpresas na minha vida
Dizem que quando ficamos doentes os amigos se afastam, não que eu tenha ficado doente, só um pouco limitada.E tenho tido o apoio de grandes amigos.
Gente que te pega pelas mãos e diz: Vamos!
Enquanto isso tem aqueles que fingem que nada está acontecendo...eu me divirto com isso.
Sou grata àqueles que estiveram verdadeiramente comigo em 2018.
Por favor, continuem segurando a minha mão, meus passos ainda não estão tão firmes assim.

23.12.18

Hohoho...aquele bom velhinho nunca me enganou...quando bem pequena eu tinha medo, talvez fosse só desconfiança.
Com o passar dos anos a coisa não melhorou...enquanto todos corriam ao seu encontro eu só observava, de longe.
Papai Noel de Shopping center então..não gosto nem de um, nem de outro.
Mais tarde, quando ainda trocávamos presentes em casa, cada qual fazia uma listinha e distribuía entre os familiares, tudo bem às claras.
Até que abolimos a prática e agora trocamos presentes quando temos vontade, independente de datas ou convenções pré estabelecidas.
Mas existe uma aura de final de ano que ainda me envolve, talvez seja a promessa de um novo ano, de novas oportunidades, a coisa da folha em branco para ser escrita, no meu caso, com voracidade.
Aí sim eu gosto!
É também o período em que comemoro tudo o de bom que vivi, os dias felizes!
Então, vamos comemorar e aguardar, ansiosamente, o novo ano:

20.12.18

Tenho que compartilhar minha alegria de hoje: fui liberada para entrar na água e finalmente pude tirar os pés do chão e nadar.
E na água a falta de sensibilidade não faz diferença.
Pensem numa pessoa feliz!
Esse é meu ambiente: o contato com a água, a leve compressão na minha pele, o frescor e o silêncio ao mergulhar me transportam.
Recarreguei minhas energias e minha alma!

19.12.18

Tive muitas fases musicais...comecei com as músicas dançantes, afinal era o auge de Dancin'days.
Em 78 ou 79,  eu com quase 12 anos, queria mesmo era ir na discoteca, mas tinha que me conformar com as matinês.
No cinema, John Travolta incendiava as telas.



Até que era divertido!
Um pouco depois recebi alvará para os bailinhos. Foi a primeira vez que escutei uma banda tocando Beatles!



E foi daí prá frente que tive contato com o rock, mais o progressivo: Led Zeppelin, Asia, Yes, Queen,  B.O.C., Rush, Deep Purple, Van Halen, Supertramp, Black Sabbath, The Who, Jean Michel Jarre,  Alan Parsons,The Doors,Bowie, Kiss e etc.



Enquanto isso a música clássica corria solta lá em casa, do gramofone ao 3 em 1, que tocava também muita MPB.
No meio do caminho conheci James Taylor, Simon & Garfunkel e The Beach Boys.
Na faculdade foi a fase dos shows, não me importava de repetir o artista ou banda.
Perdi a conta de quantas vezes vi no palco, Toquinho, Oswaldo Montenegro, Ultraje a Rigor, Caetano, Titãs, Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas, Kid Abelha, Ira, Lulu Santos e mais alguns.
Nos anos 91 e 92 "Tendo a Lua" fez um sucesso tremendo:


De lá prá cá fui só adicionando preferências como Marisa Monte, U2, Katie Melua, Enya, Skank, Paulinho Moska, Coldplay, Andrea Bocelli e muitos clássicos americanos dos anos 40, 50 e 60.


15.12.18

Andei meio atormentada nos últimos dias com a idéia de me submeter à imunoterapia.
Por enquanto, meu único sintoma, que não é bem único, é a polineuropatia periférica sensitiva.Mesmo avançada, só perdi a sensibilidade dos pés, parte das pernas e um formigamento bem leve na ponta dos dedos das mãos, que não me atrapalha em nada.Talvez só na hora de colocar linha na agulha!
Decidi me dar mais uns meses e quem sabe até um ano.Mesmo assim marquei um outro médico, para uma segunda opinião, em janeiro.
Na semana que vem farei a primeira aula de direção especial.Estou contando os dias para voltar a pilotar.Não imagino como será dirigir com todos os comandos nas mãos, prefiro nem pensar muito, vou deixar para ver in loco. 
Em 2019 vou me concentrar em qualidade de vida.
Será um ano de conquistas!
Comemoro o final de 2018 com 23 quilos a menos que em dezembro de 2017. Uma hérnia e em seguida uma cirurgia me impossibilitaram investir em exercícios.Mas me aguardem que na próxima segunda estarei liberada para eles!
E quem sabe, melhorando o condicionamento físico, eu consiga segurar o avanço da polineuropatia.
Que assim seja!

 

9.12.18

Revendo "Antes do Por do Sol" reparei neste diálogo e ele é, sem dúvida, uma das melhores partes do filme. Talvez hoje eu o compreenda melhor. Eu gosto dos detalhes, das coisas pequenas, me apego a elas.E depois é disso que sinto saudades.

8.12.18

A volta das férias coincidiu com a volta no neurologista.
Eu andava percebendo uma piora mas achei que fosse de tanto andar no último mês, talvez fadiga muscular.
Tentei remarcar a consulta mas o médico só tinha horário para março.
Honestamente eu estava tentando fugir deste encontro.
Entrei no consultório e começou o bate papo, ele me perguntou das minhas férias, da minha cirurgia, da recuperação e tal. Mas foi quando ele perguntou como andavam minhas pernas que eu caí no choro.Não era chorinho pouco não, eu abri a torneira com vontade.
Ele se levantou, me trouxe papel, passava constantemente a mão no meu ombro como forma de conforto e eu lá chorando.Depois de alguns minutos consegui recuperar o controle e parei.Minha resposta estava dada. Mas em mim perdurava a dúvida: eu realmente havia piorado ou não estava sabendo lidar com algo tão incapacitante.
Fomos para o exame físico e ele constatou que a ataxia e a sensibilidade dos pés pioraram e em muito pouco tempo.
Ele me prescreveu a infusão de imunoglobulina humana, que é feita em hospital, com supervisão médica.
Não, desta vez não caí no choro.
Mas ao chegar em casa consegui pensar melhor e decidi buscar uma segunda opinião.
Meu horizonte anda um pouco nublado no momento e abraços sinceros me confortam!

 

5.12.18

Logo alí, ao lado de Portofino, está Santa Margherita.
É um lugar aonde me senti realmente em casa. A proximidade com o mar sempre me cativa e em alguns casos, me arrebata!
Andar por aquelas calçadas, sentar-se nos bancos ou mesinhas a beira mar, sem pressa, é um prazer sem fim.O tempo pára!
Conhecendo a região fica fácil compreender a letra da música Love in Portofino:


Não, não encontrei meu amor em Portofino...ele é bem mais ancestral.
Mas é bem fácil fechar os olhos e relembrar um rosto amado.








24.11.18

Eu sempre disse que queria morar numa ilha...existem muitas na minha lista e no último dia 15 acabei de incluir mais uma: Valletta, em Malta.
Foi num dia lindo que a conheci, gerou boas recordações e me trouxe também saudade de quem eu gostaria que estivesse lá comigo❤️




2.11.18

Huhuuuuuuu....férias, não forçadas, chegando...justamente no dia em que recebo alta, mas ainda com recomendações de não levantar peso, não fazer exercícios e nem entrar na água, até a primeira semana de dezembro.
Que seja!
Preciso respirar novos ares, os dois últimos dois anos foram puxados.Além de tudo que me aconteceu ainda tive que me conformar com a polineuropatia.Como assim? Como este tipo de coisa acontece a alguém tão independente? Confesso que foi, e continua sendo, difícil de aceitar.
Espero que com a carteira de motorista especial eu recupere uma parte da minha autonomia.Uma das coisas que mais me incomoda no dia a dia não é não dirigir e sim não conseguir mais carregar coisas nas mãos, que agora seguram o andador que evita que eu desequilibre.Ele agora é meu fiel companheiro e tem até nome, Richard, de Richard Gere.Cada qual escolhe o Richard que melhor lhe convém.
As pessoas se impressionam ainda quando me veem usando o andador, a maioria acha que eu sinto dor.Não, a questão é o oposto, uso porque não sinto nada e com isto perco a referência de equilíbrio.
Um dia até eu mesma acostumo!
O que eu preciso hoje é de uma vida que seja generosa e me conceda boas vibrações.
Não é pedir muito!

27.10.18

Então eu canto!

Vedrai, vedrai, vedrai...


25.10.18

“As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio.”  Kafka

Franz, que grande escritor que era, sabia mesmo das coisas.
Meu pai sempre me chamou de sereia pela paixão que eu tenho por água. Mais tarde foi a vez do cara metade descobrir que havia se casado com uma e deu inteira razão a meu pai.
Hoje o silêncio da sereia significa, entre outras coisas, que ela só observa o que vem acontecendo ao seu redor.Talvez ela volte a cantar depois do dia 28, independente do resultado das urnas.    
A sereia não tem, atualmente, partido ou candidato, fizeram o favor de assassinar o seu. Nele ela via a força de um pernambucano comprometido com seus iguais e mesmo com seus diferentes, que foi governador de uma terra que tinha olhos para as crianças e os outros invisíveis.
Sim, o mundo é injusto e a política mais ainda.
E o silêncio da sereia incomoda!
Da mesma forma que não quero opinar, seria pertinente que não me julgassem por não escolher este ou aquele candidato.
Significado de pertinente: oportuno, apropriado, propício, adequado, favorável, congruente, respeitoso, certo, bom e etc. 
Respeito todos os posicionamentos mesmo não concordando com eles. Não suporto extremismo, assim mesmo, no sentido literal da palavra, numa referência a doutrinas ou modelos de ação política que preconizam soluções extremas, radicais e revolucionárias, para os problemas sociais. Frequentemente associado ao dogmatismo, ao fanatismo e à tentativas de imposição de estilos e modos de vida, bem como à negação radical de valores vigentes.  
Só não peçam para a sereia fingir!
Ou eu canto ou silencio.
Deixem vir o que virá. 
     

9.10.18

Nem só de antibiótico vive a pessoa...saí da sessão da hiperbárica acabada.
Fui trabalhar de manhã, fiz a sessão das 13 as 15 e quando cheguei em casa aterrei na cama.Eu não tinha forças para tomar um copo de água.Isso é resultado da queima de glicose que ocorre durante o processo de oxigenação. Não como açúcar, somente o das frutas e o de alguns poucos carboidratos. Em dias normais não me faz falta, mas hoje fez uma falta tremenda!
Vendo a minha situação deplorável, o cara metade saiu e trouxe um bolo no pote de prestígio, com muito côco e chocolate.
O efeito foi quase que imediato: estou nova  em folha outra vez!!!
E coragem que ainda faltam 7 sessões, mas posso dizer que já melhorei 50%.
Ou seja, tudo vale a pena.


2.10.18

"Se eu te pudesse dizer
O que nunca te direi
Eu teria que entender
Aquilo que nem eu sei..."
Fernando Pessoa

Estou contando os dias para respirar o ar de Lisboa novamente.Se tudo continuar como está, terei alta um dia antes do embarque. Uma pena que serão somente dois dias, mas isso é muito melhor que nada.Sentirei falta do Porto, vai ter que ficar para uma próxima ocasião.

29.9.18


Na despedida
as costas! Solitário
vento de outono.
Matsuo Bashô - 1688
Nas minhas sessões na câmara hiperbárica, muitos chegam pela primeira vez enquanto outros partem e ainda tem aqueles que simplesmente desaparecem.
Ali, durante 60 minutos, vemos concentradas dores, perdas, conquistas, cansaços, forças, resignação e também muita resignificação.
É uma autêntica catarse!

26.9.18

Um pouco de choque de realidade às vezes cai bem.
Nessa vida moderna acabamos vivendo isolados em bolhas.Quando não estou de férias circulo entre o trabalho, a casa, o mercado e um ou outro compromisso.
Depois de 3 semanas de cirurgia e com uma certa dificuldade de cicatrização estou passando por sessões de oxigenoterapia hiperbarica, uma tecnologia fantástica e acessível numa cidade com quase 2 milhões de habitantes.
Passo duas horas por dia numa clínica de fisioterapia.Nas minhas sessões na câmara hiperbárica somos 7 pacientes.
Cada qual com uma história mais sofrida do que outro.Chego a pensar que meu problema não é nada perto dos deles.
Sou a segunda mais nova da turma e vejo como os mais velhos são negligenciados.
Os filhos e parentes estão todos tão ocupados que nem sabem a tristeza que esses idosos carregam.A sessão dura 1 hora e meia, e mesmo o desconforto da descompressão não parece incomodá-los.Esta é, sem dúvida, a melhor hora do dia deles.
Eu farei ainda mais 18 sessões, ou seja, na melhor das hipóteses só terei alta daqui ha há 20 dias!
Mas tudo bem, agora já me conformei 😉