10.8.17

Nunca substime um ser venenoso.
E não é que o veneno do escorpiãozinho, carregado com algumas bactérias, rodou, rodou, rodou dentro de mim e acabou se alojando no músculo da minha panturrilha.
Entre dores e gemidos sobrevivi com a ajuda persistente da indústria farmacêutica.
Semana que vem volto ao trabalho!!!
Ficar na cama o dia todo, com as pernas para cima, não é o meu forte.
Eu preciso caminhar por aí...mesmo que a passos lentos.

31.7.17

Eu achando que o Chico Buarque tinha pendurado as chuteiras... aí ele vem e escreve uma música dessas que faz o peito se iluminar:



Sou uma pessoa de suspiros, eles me escapam quando meu coração não consegue mais segurar.
Ai, Chico, essa sua cantiga é linda!

Mas...depois de muito escuta-la acho que pegou pesado com o que eu acredito que tenha sido um reforço poético na seguinte estrofe:

Quando seu coração suplicar
Ou quando teu capricho exigir
Largo mulher e filhos
E de joelhos vou te seguir

Nem era para tanto, né? Que mulher gostaria de um homem que lhe seguisse de joelhos, além de ser acusada de destruir um lar?

Mesmo como figura de reforço, a imagem é um tanto pesada.Não é porque a considero linda que não vejo seus defeitos.Entre tantos argumentos está o de que as mulheres de hoje tentam não carregar mais tantos carmas.
Eu estou errada?

24.7.17

''Em nossas vidas, há pessoas que nos fazem felizes pelo simples fato de ter cruzado o nosso caminho. Hoje e Sempre. Simplesmente porque cada pessoa que passa em nossa vida é única, sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Há os que levaram muito, mas não há os que não deixaram nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso.''  Jorge Luis Borges
Não importa o grau destas relações, só sei que eu aprendo muito com elas.E é com a estranheza de algumas que eu cresço como pessoa.Vou morrer e não vou ver de tudo nessa vida.
Eu quero é mais, que me surpreendam!
Essa vida é mesmo uma montanha russa, cujo sentido muda sempre que o carrinho sobe, desce ou para na estação.E o que importa é estar feliz!!!
Estou trabalhando agora numa colcha, com sobras de lã de um trabalho e outro, para doar no Lar dos Velhinhos, isso me deixa bem feliz.Há alguns anos foi moda, mas agora as pessoas encontraram outras prioridades.Não tem importância, eu não preciso de modismos, o meu combustível é outro.



15.7.17

As pessoas ainda me ligam para saber se eu estou bem...na verdade, estou ótima!!!
Estou esperando começarem os poderes especiais como o que aconteceu com Peter Parker.
Talvez os escorpiões seja emotivos pois ando uma manteiga derretida.
Ontem chorei baldes ao encontrar uma foto do meu pai na galeria do celular, foi tirada uma semana antes dele ser internado, quando ele só tinha uma infecção urinária, que na sua idade era suficiente para deixá-lo caidinho.
Mas, enfim, este é o último sorriso que eu guardo dele.


Voltando à vida normal, aquela que nos atropela toda manhã, hoje fiz panquecas.
Tenho uma relação estranha com elas, adoro prepará-las, gosto do sabor da massinha, mas não gosto de comê-las depois que saem do forno com molho e recheio.
Tanto que como enquanto as preparo, depois só provo.
Mas tem uma sobremesa que gosto muito: Crepe Suzette, só que nunca tentei preparar em casa.
Estou pensando em tentar!


Gosto tanto que tenho a receita na cabeça, só de ver fazer.
As minhas panquecas (crepes) são imbatíveis e não tem segredo algum, acho que é só prepará-los com prazer.
Para fazer a calda sei que tenho que derreter açucar no ponto de caramelo, colocar um pouco de manteiga e suco de laranja. Tudo incorporado, é a hora de flambar com uma mistura de Grand Marnier e Conhaque.
Pronto, acabou!
Gosto de comer com frutas frescas, gomos de laranja, morangos e uma colher generosa de chantilly.
Farei em breve!


12.7.17

Costumo dizer que minha vida não tem nada de monótona e não é exagero.
Me digam quantas pessoas vocês conhecem que saindo do banho, pegam a toalha (branquinha e fofinha) para se secarem e levam uma picada de escorpião no dedo indicador da mão?
Foi tudo super rápido, doeu um bocado na hora, latejou bastante, tive uma pontada de dor de cabeça, mas meia hora depois eu não sentia mais nada.
Foi este o tempo também que levei para me vestir e chegar ao posto de saúde.Mas antes disso liguei para a veterinária para saber o que fazer.
A resposta foi: pega o bicho e vai para o Posto de Saúde.



Chegando lá me levaram imediatamente para a sala 3.
Fui atendida por um médico cubano, a comunicação foi um tanto difícil, mas o enfermeiro era ótimo.
Segundo o médico, se fosse para ter uma reação violenta ao veneno, eu teria tido na hora e não depois.Mandou que eu me observasse durante o dia, tomasse um analgésico se fosse preciso e passasse uma pomada anti inflamatória no local picado.
Segundo o enfermeiro, o tipo que me picou é dos menos venenosos e que costuma ser mais perigoso para crianças e não para adultos saudáveis.E me recomendou que tomasse bastante água.
O bicho era bem pequeno, uns 2 cm, acho que ainda é filhote.Virou a celebridade do dia no P.S.
Conclusão: sobrevivi.
Já o escorpião, coitadinho, não está com uma cara muito boa.

9.7.17

Ando um tanto repetitiva...acho que é culpa da gripe.Gripe é apelido, isso é coisa do capeta.Eu devia ter desconfiado quando o posto de saúde do distrito fez Campanha de Vacinação em massa.Eles já deviam saber que havia algo no ar.
Aqui em casa todos pegamos! E pelo menos uma dúzia de conhecidos também.
É um vírus super resistente que te derruba sem dar febre. Faz duas noites que não durmo por causa de uma tosse persistente.Parece que encontrei um xarope que vai resolver as coisas, foi o único que surtiu algum resultado.
Xarope de beterraba, mel, própolis, chá gengibre...nada adiantou.O sabor do Vick é horrível, mas trás muito conforto, é hoje que eu durmo direito.
Se uma gripe dessas chega à uma aldeia distante, longe do contato com a civilização, dizima todo mundo.
E falando nisso:


Mas como tudo de ruim na vida da gente, logo ela vai embora, e logo também deve florescer a cerejeira do meu quintal!

1.7.17

Na minha vida pessoal sou muito crédula, talvez isso favoreça minha altíssima auto estima.
Se você diz que eu sou linda eu acredito!
O que quase causou um incidente diplomático no final de semana passado, em Maringá.Ao sair de um restaurante com minha mãe, o cara metade tinha ido buscar o carro, um rapaz um pouco mais novo que eu se aproximou e disse:
- Com todo respeito, a senhora é muito linda!
Quando o cara metade chegou ele ainda repetiu e perguntou se éramos parentes.
A resposta foi seca e grossa: - Sou o marido dela.
Neste momento eu já estava entrando no carro e achei prudente nem olhar para trás.
Mas valeu, um elogio desses, em qualquer idade, faz bem para o ego e a alma.
Afinal:
A base da alma está dentro, enquanto a base do ego, o referencial, está sempre fora.
A alma vive em constante gratidão e o ego em eterna insatisfação.
O ego nos estressa enquanto a alma nos harmoniza.
A alma é eterna e o ego passageiro.
A alma é sempre plena e o ego é sempre carente.
A alma nos inspira e o ego nos empurra.
A alma sempre apazigua e o ego perturba.
A alma ama e o ego se apaixona.
Ela nos liberta e ele nos aprisiona.
Ela nos projeta para dentro e para o alto e ele nos leva para fora e para baixo.(...)
(Horivaldo Gomes)

Já na minha vida profissional, por conta dos anos de jornalismo, não acredito em quase nada.
Desconfio de praticamente tudo.
Mas quando dizem que sou linda eu acredito!

28.6.17

Fugindo de palavras como polineuropatia, eletroneuromiografia, velocidade de hemossedimentação e hipoestesia, procuro abrigo na música, ou ainda, na poesia de Mia Couto.
Enquanto espero, escuto.

Para Ti
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
No livro “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”

15.6.17

Fiz as contas e descobri que não faz um ano que não dirijo e sim dois!
No começo não me importava tanto, mas o tempo vai passando e a falta de liberdade de ir e vir , quando e como quero, começa a incomodar.
Minha consulta do dia 13 foi inconclusiva.Por que eu não gosto de ir à médicos novos? Porque eles sempre nos mandam em outros médicos.Conclusão: segunda feira irei a um neurologista.
E neurologistas sempre pedem muitos exames.
Não sei para quê tanto, eu me sinto ótima, só não sinto as pontas dos pés.O que afeta diretamente meu equilíbrio e não me permite ter segurança para dirigir.
Lá vou eu outra vez para uma batelada de exames.
Era tudo que eu não queria!
Tem quem goste, mas eu não.
Eu bem que tento mas tá complicado ser dona das minhas vontades.
Ô Vida, facilita aí.

11.6.17

Shigeru Umebayashi é um compositor japonês, apaixonado por cinema, com participação em mais de 50 filmes.



People moving all the time 
Inside a perfectly straight line 
Don't you wanna just curve away?




O fato de amar os desenhos do Studio Ghibli não significa que eu não goste da Disney!
Tem lugar para todos no meu gostar.

9.6.17

Vou dormir pensando na frase que li hoje:

"Ninguém sabe ao certo o impacto que causamos na vida dos outros"

Sabe que eu não sei...


8.6.17

Não vivo sem música, ela alimenta minha alma.
E depois de assistir a série Seyit ve Sura, super melodramática, fiquei ainda mais emotiva.
Ok, uma coisa parece não ter ligação com a outra, mas tem!
O veículo é a música e a relação é o lugar para onde ela nos transporta.



Aí tenho que abstrair mesmo!

4.6.17

Logo mais eu completo 50 anos...olhando assim não parece tanto, mas é.
O que eu poderia dizer da minha experiência até então?
Meninas, sejam fortes, independentes, "emponderem-se" (está na moda, né?), mas não deixam que percebam o quanto vocês são fortes.
Meu pai sofreu um grave acidente quando eu tinha de 12 para 13 anos de idade.Ele passou 8 meses numa cama hospitalar.Eu tive que aprender a crescer, a ser forte e a não precisar da ajuda dos meus pais.Depois morei sozinha, em seguida voltei para casa e me dediquei aos estudos como faculdade, cursos, estágios e etc.Foram muitos e meu muito bem em tudo o que fiz.
Fui ganhando força, muita força!Assim as pessoas me viam e assim eu queria ser vista.Desde a minha bisavó russa era inadmissível demonstrar fraqueza dentro e fora de casa.Isso deve ser parte do orgulho eslavo.
Hoje, quando algo de ruim acontece sou eu quem abraça os outros, quando na verdade eu é precisaria ser abraçada.
Não é porque eu aguento bem, que eu não sofro. Aí tem relação com o que eu sinto e não com a forma como eu reajo.
Minha armadura é de ferro, mas meu coração, de melão.


Mas como dizia meu pai:
- Deixa prá lá!


28.5.17

Dearest belly button...achei bem mais sonoro do que : Querido umbigo.
Estou ansiosa, contando os dias para minha consulta com a acupunturista. Faltam 16 dias para iniciar um novo processo na tentativa de voltar a dirigir e andar sem auxílio.
Ou melhor, primeiro voltar a andar como todo mundo e depois dirigir, que é algo que eu sinto muita, mas muita falta mesmo.
Hoje amanheceu um dia lindo, ensolarado, radiante!
Eu queria poder pegar o carro e seguir alguns quilômetros pela estrada, com os cabelos ao vento (eu costumava secá-los assim), escutando minhas músicas favoritas.Com outra pessoa no volante não é a mesma coisa.Sempre vi o carro como uma extensão das minhas pernas, me levando aonde eu dificilmente iria chegar sozinha em tão pouco tempo.Já se passaram quase dois anos...


Mas enfim, uma luz no fim do túnel se manifesta, embora ainda muito discretamente.
E otimismo é uma das minhas melhores qualidades!!!

21.5.17

A chuva nos deixa mais melancólicos e para completar desde ontem eu só escuto o Ivan Lins com a Orquestra de Câmara da ULBRA:



Esta versão de Bilhete é de transbordar o balde:

20.5.17

Blue Jay (2016) é um filme que traduz facilmente algumas relações da minha geração.
Uma produção modesta, equipe reduzida, encenada e escrita por Mark Duplass. Praticamente um filme feito em casa que vai agradar exatamente quem entende o que ele está dizendo.Com apenas dois personagens e uma pequena participação de Clu Gulager.
Em alguns momentos parece que estamos revendo aquelas fitas em VHS que guardamos por anos em caixas de papelão já desbotadas pelo tempo.Ou então as fitas K7 guardadas com aquelas cartas que nunca tivemos coragem de jogar fora.
Como roteirista eu cortaria alguns diálogos pela metade, em alguns momentos eles são prolixos.
Gostei de assistí-lo.Ele é um resgate de um amor romântico, na verdade daquele primeiro amor significativo na vida de uma pessoa.Dos planos e dos sonhos que construíram juntos quando na verdade não existiam perspectivas para que eles se concretizassem.Mas o romantismo permitia isto.
Não vejo mais este tipo de relacionamento nos dias de hoje.
Todo o contexto traduz o que vivemos, ou então, que poderíamos ter vivido.
Filme indicado para pessoas que nasceram entre 1950 e 1970 e que em algum momento experimentaram um grande amor que parecia que seria para sempre (e que de alguma forma manteve-se vivo).



Como seria encontrar um grande amor depois de 20 anos?

15.5.17

De março prá cá sei que parei no tempo.
Muitas pessoas tiram o ano sábatico, eu estou num tipo de semestre pós traumático.
Perder um pai assim tão presente é uma porrada forte.
A saudade dói pacas.
O trabalho está no piloto automático e o meu momento pessoal é bem introspectivo.
- Atenção senhores passageiros, por favor afivelem os cintos e mantenham a calma.Sobreviveremos todos!!!
Nem é uma fase tão ruim assim, tenho tido tempo para refletir sobre meus últimos anos e estou criando coragem, e ganhando forças, para mudar aquilo que precisa ser melhorado em mim.
Estou relendo velhos livros que ganhavam pó nas prateleiras.
Marquei uma médica acupunturista para o próximo mês.Gosto muito da medicina oriental e andava um tanto afastada dela.
Ando até dizendo alguns "nãos" necessários.
E ando pensando que a vida deve ser muito mais bem aproveitada, pois ela sempre é curta!


11.5.17

É muita calmaria para o meu gosto!
O país está parado.Os índices de inflação apontam uma leve queda, mas é claro, ninguém está comprando nada.Os que estão empregados levantam as mãos para os céus agradecendo e os que não estão continuam rezando.Por mais que eu queira um Estado laico, só por Deus mesmo.
Não combino muito bem com compasso de espera, sou uma pessoa de urgências.
E também não gosto muito de ver o que meu país se tornou.
Quanto mais eu penso menos soluções encontro.
Busco a calma em alguns lugares e conceitos, como no budismo.Até meditar é difícil demais quando meu cérebro anda dando tratos a bolas para sair da estagnação.
Música e os filmes também me distraem um pouco, melhor ainda se estiverem relacionados.



Se não, não tem problema também.
Preciso mesmo é dar descanso à minha parte pensante.

6.5.17

Eu tenho um problema...perco o sono, como muitas outras pessoas, aí tomo café, lavo louça e me distraio jogando no computador enquanto escuto Rita Lee.
Depois, motivada pela publicação de um amigo e pelo programa de ontem à noite sobre a Sicília, assisto novamente, acho que pela terceira ou quarta vez, "Stromboli", do Roberto Rossellini.
Filmão, com uma fotografia que marca presença.
Talvez perder o sono não seja um problema.
E ao final da manhã acabo mesmo é ouvindo repetidamente o Bocelli :

1.5.17

Darjeeling não é somente o nome de um dos tipos de chá que mais aprecio.
É também o nome de uma cidade cheia de modestos encantos e muita espiritualidade. Talvez um pouco tranquila demais para a pequena Vivien Leigh, que aos seis anos de idade foi enviada para uma escola católica na Inglaterra.
Visitar Darjeeling ficará certamente para uma próxima encarnação.Enquanto isto contento-me com uma boa xícara de chá!

  Foto: Justin Guariglia