19.9.14

Ao lado da porta de entrada de casa, há aproximadamente uns quatro ano,s plantei uma cerejeira.Qual não foi minha alegria ao perceber que pela primeira vez ela está dando flores.Ainda são poucas, tímidas, somente nas pontas dos galhos mais altos.Mas já é uma promessa para o próximo ano!

"Originária da Ásia, na cultura japonesa (chamada de sakura, identificando tanto a cerejeira quanto a flor de cerejeira), a cerejeira era associada ao samurai cuja vida era tão efêmera quanto a da flor que se desprendia da árvore. O suco de cereja madura é de tão intenso sabor e cor que tem sido freqüentemente comparado ao primeiro gosto do amor. A flor da cerejeira já foi considerada uma das flores mais belas, tanto pelo seu formato como pela delicadeza e espessura das suas pétalas. Na Índia ela é considerada sagrada, e nas casas que tem essa flor nunca falta nada."(Fonte: Wikipédia)

E falando em cerejeira lembrei-de de uma ópera que gosto muito: Madame Butterfly

18.9.14

O Rio Atibaia faz parte da minha memória afetiva e agora ele sofre com a falta de chuva.
E a culpa é de quem? Por mais que eu queira dizer que é por causa de condições climáticas adversas, é um tanto óbvio que tem dedo podre do homem aí.
Poluição, represamentos clandestinos, assoreamento, consumo não consciente, obras irregulares são alguns dos motivos que contribuem para a situação atual.O problema não afeta somente um rio, ou parte dele, mas um sistema inteiro.
Em meados de agosto o sistema Cantareira estava fornecendo água para o Atibaia.Depois de umas poucas chuvas o processo foi suspenso.Só que parece que esta água evaporou ao bater nas pedras.E aonde antes havia água, hoje só vemos pedras.

   Foto: Adriano Rosa
Não vivo sem música.
Mesmo no mais profundo silêncio escuto os acordes eternizados em minha memória.
Talvez tenha me apaixonado pelos cinema por causa das trilhas sonoras.
Aos vinte e poucos anos comentei que iria assistir a apresentação de um amigo que iria interpretar músicas do Carmen Cavallaro.Alguém sutilmente fez menção de me corrigir achando que eu havia trocado o sexo da compositora.
Não, eu estava falando justamente do Carmen Cavallaro, do clássico. "Melodia Imortal"(1956). Melodia o quê?
Eddy Duchin Story. Eddy what???
Aí percebi que não era meu conhecimento cinematográfico que me distanciava dos outros e sim o musical.



A música Concerto de Varsóvia, também interpretada por Carmen Cavallaro, foi composta em 1941 para outro filme: "Dangerous Moonlight".
Ela é simplesmente maravilhosa!!!

17.9.14

Por onde andam compositores com os de antigamente?
Sinto falta de obras magistrais como as de Nikolai Rimsky-Korsakov, que foi professor de outros grandes artistas: Prokofiev e Respighi.
Scheherazade é um primor que povoa aquele ponto mais distante da nossa imaginação.
Já Sadko, baseada na história de um famoso comerciante de Novgorod, tem profunda ligação com o mar. Por ter sido um oficial da marinha russa Korsakov sabia traduzir o mar em sons como ninguém mais.A Canção da Índia fala de saudade e nos faz viajar por locais normalmente inacessíveis do nosso subconsciente!

16.9.14

"Escrevo para fazer as pazes com aquilo que não consigo controlar"  Terry Tempest Williams

Faço isto o tempo todo!
Seja num bilhetinho, minha mesa é cheia deles, ou em um roteiro.
Nos roteiros de documentários a coisa é mais explícita.
Teve uma fase em que tentei dizer tudo o que pensava, mas percebi que não dá muito certo.
Deixar prá lá eu também não consigo, fica tudo martelando aqui dentro.Aí eu escrevo!
Li em algum lugar que o poeta é um inconformado, acho que está mais para incomodado.
Não sou poeta, estou bem longe de ser, mas muitas vezes traduzo aquilo que não consigo controlar em palavras, em frases soltas, que lá na frente farão algum sentido.
Outras, entretanto, fazem sentido imediatamente.
E depois ainda existem pessoas que não gostam de escrever.
Certa vez uma amiga me perguntou porque eu escrevia em um blog.
Eu respondi que é porque é assim que eu relaxo.Ela fez cara de interrogação.
E tudo bem também se ela não entendeu...já passei do tempo em que me preocupava por não ser compreendida.Quanto mais eu vivo mais tenho a certeza de que as coisas não precisam necessariamente fazer algum sentido.

14.9.14

Quando jovens perdemos algumas oportunidades por pura falta de maturidade.
Vivíamos a fase da vergonha....
Eu teria dançado esta música, sob a luz das estrelas, em qualquer língua.
Hoje, penso que teria gostado!

Sim, eu gosto do Rod Stewart



E, no calor, de limonada também!

13.9.14

Bom dia!!!!!
Porque viver é bom demais, cansa, incomoda, machuca, mas são as pequenas alegrias que nos fazem seguir adiante.
É a vontade do "quero mais", o coração aquecido e a alma feliz que nos impulsionam.
É aquela vibração que encontra lugar em nós e nos outros.
Vamos lá que ainda tem muita vida para ser vivida!

11.9.14

Difícil ter bom gosto...passando pela rua, uma, duas, três vezes, na quarta me apaixonei pela poltrona da vitrine.Tentei desviar o olhar, fingir que não vi , mas aquela imagem ficava pulsando na minha frente.Vi nela algo que me pareceu familiar e aconchegante.
Sabendo de antemão que a peça deveria custar os olhos da cara telefonei na loja para mais informações:
- A senhora tem muito bom gosto, é só a poltrona mais cara que já tivemos à venda aqui na loja.Ela é assinada e inspirada na arquitetura cobogó!
Cobogó? Cobogó? Fiquei pensando...pensando...putz é aquilo que eu adoro: elemento vazado!!!



Sim, a lateral da cadeira é a representação de uma parede de elementos vazados.


 
A poltrona, assinada pelo designer Roque Frizzo, vai continuar lá, a não ser que eu seja eleita para um cargo político, ganhe na loteria ou vire traficante, porque trabalhando na legalidade vai ser difícil trazê-la para casa.
De qualquer forma ela é linda de se ver!!!
Hoje acordei cansada...
Queria acessar o teletransporte, sumir por algumas horas e depois voltar renovada.
Mas vamos lá, coragem!
Afinal, já dizia Aristóteles:
"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras."


9.9.14

Muitas vezes precisamos ser o exemplo forte do que queremos e sem querer acabamos sendo o exemplo do que não pedimos.
Eu sou concha, gosto do sossego do meu canto.
Mas mal coloco minha cabeça para fora surgem milhares de solicitações.Como tenho bons ouvidos acabo escutando todas, umas mais fáceis e outras nem tanto.É gente que desabafa, que pede conselho, um favor ou simplesmente que gostaria de saber o que eu faria em determinada situação.
Percebo que uma única palavra pode significar muito para quem se sente perdido, como uma luz, um farol, um caminho.
Já tentei dizer que não sou exemplo para ninguém e muitas vezes senti vontade de gritar: - Não me sigam, por favor!
Mas parece que nascemos predestinados.
E fica aquela sensação estranha de cansaço, felicidade e realização.
Porque, no final, é bom!

5.9.14

O dia hoje combina com as palavras de Quintana!

"(...)Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dada, um dia,
outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente
e iria jogando, pelo caminho,
a casca dourada e inútil das horas(...)"



4.9.14

Gosto do vento.
Como escreveu Pessoa:
"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."
Se não fosse ele a inflar as velas como sairíamos para o mar? Já dizia Platão:
"O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê."


Vento é movimento, é força, é voz, é direção.
E vento também é canção, escrita lá nos anos 90:

3.9.14

Achei lindo:


2.9.14

O céu está roncando pesado por aqui, assim do nada.
Acabei de chegar, tirei os sapatos, passei uma água rápida pelo corpo, comi algo leve e vim prá Net.
Mas já vi que se os trovões continuarem vou ter que desligar tudo.
Se bem que o Instituto Nacional de Meteorologia lançou um alerta ontem para o estado de São Paulo.



E aqui no mato, quando entra tempestade, a primeira coisa que vai embora é a energia elétrica.
Até amanhã :o)

1.9.14

Bom saber que Hayao Miyazaki receberá o Oscar honorário pelo conjunto da obra.
Amo os trabalhos dele assim como as trilhas compostas por Joe Hisaishi!!!


Gosto muito da música de número 27, do filme Departure.
Setembro chegou!
Queria tanto que Agosto acabasse logo e agora perdi a pressa.A nossa corrida presidencial me preocupa um pouco.Meu candidato morreu, sua sucessora não me inspira segurança.O governo atual mostra claros sinais de desgaste.A inflação está nos comendo pela perna embora não apareça nos índices oficiais.
Independente do resultado creio que venha tempestade por aí, o que deve mudar é somente o tamanho das ondas e o intervalo de tempo entre elas.
Enquanto isto vamos cuidando do espírito:



Va benne!

30.8.14

A manhã está linda, 20 graus, um sol discreto e muita preguiça.
Sei que sonhei e que foi bom, só não me lembro do sonho.
Ei, Jung, você bem que podia me dar uma mãozinha, héin?
Fiz um café de máquina e aqueci uns pãezinhos de semolina que preparei na noite anterior.Coloquei os fones no ouvido e entreguei-me ao prazer de escutar música.
De som em som encontrei um que se parece com a sensação que o sonho deixou em mim.


E como uma coisa leva a outra tenho quase certeza de que eu dançava.
E na chuva!


27.8.14

Ô meu São Benedito...parece que aquela minha fase gastronômica ruim acabou.
Acertei a mão outra vez ontem e hoje.
E nem o cansaço fez diferença.Fiz uma cenoura ao curry divina, ficou adocicada e picante na medida certa.
Hoje o trânsito estava acima da média, mas ao invés de estressar resolvi ligar o rádio e deixar a pressa prá lá. Escutei muita coisa boa e descobri que o Zeca Baleiro gravou "Ai, que saudade d'ocê" , do Vital Farias.Já foi interpretada por diversos artistas da MPB, mas gostei muito desta versão.Não encontrei o video somente com o cantor e sim um que faz referência à uma novela.
Esqueçam a novela e escutem a música, que tá boa demais:

23.8.14

Não somos como máquinas e acho que nem nunca seremos.
Cozinho até que bem, conheço os temperos, os elementos, os segredos e as proporções.Mas tem dias em que as coisas não saem exatamente como deveriam ser.Interferência do estado de espírito.
Ontem foi assim e hoje cedo o café da manhã não foi diferente.Ou seja, um desastre...
Acho que é cansaço! O tornozelo torcido voltou ao seu estado normal, mas atrapalhou-me um bocado no decorrer da semana.Além do que, minha cabeça está cheia.Sistematicamente passamos por períodos de encubação de problemas sem solução no momento.Com o passar dos dias, semanas ou meses as coisas vão sendo resolvidas, mas por enquanto estamos em stand by.Isto entra em conflito com a ansiedade que me é peculiar.
Aí escrevo, me meto em projetos, planejo viagens, enfim, me ocupo mais ainda enquanto não tenho resolvido aquilo que me incomoda.Chego no sábado como se tivesse carregado o mundo nas costas a semana inteira.
Meu parceiro cinematográfico está trabalhando com uma equipe ótima e me chamou prá filmarmos um roteiro meu.Aceitei, é claro, só que o filme de 15 minutos, finalizado, tem que ser entregue até a última semana de outubro. A partir da próxima sexta feira estaremos numa Mostra de Curtas.Dos cinco filmes do grupo que foram selecionados, tenho participação em três.
Por tanto o cansaço é bom!
Para aliviar já fechei as férias do ano que vem.Vou outra vez para o sul do continente, que é aonde mais gosto de estar, tirando Portugal.Muitas pessoas viajam sem planejamento, eu não consigo.Para sair preciso deixar tudo mais ou menos em ordem.Não que eu não saia sem planejamento algumas vezes.
Além da minha diversão, que é participar de produções cinematográficas experimentais, tenho um trabalho que me sustenta e que consome muito mais que a metade de mim.E ele me fez assim.
Mea culpa, que no papel de mulher moderna, abracei muito mais do que deveria.No ponto em que estou não posso voltar atrás e também não iria, faz parte da minha personalidade.
Isso sem contar que o cara metade, na semana que vem, vai se embrenhar pela selva outra vez. Ontem fechamos a mala de remédios que tem de anestésico local até soro antiofídico.E também roupas e calçados em bom estado para os ribeirinhas que ele encontra pelo caminho.Aquilo que para nós não tem muito uso, que fica encostado no armário, é recebido com muita alegria por eles.Afinal muitos moram a 400, 500 km, de barco, da cidade mais próxima.Não há estradas, no máximo uma pista de pouso perdida aqui ou alí no meio de uma floresta de proporções gigantescas.
Acredito que toda essa agitação acabe por influenciar os meus dotes culinários.
Cozinhar tem que ser algo leve assim:

20.8.14

Se de noite a gente alimenta os ouvidos de manhã é a vez da alma e do coração.
Aí durante o dia naquela hora em que a pessoa chega na sua frente, olha para sua cara e começa a reclamar do colega de trabalho, por uma futilidade qualquer, como na época do jardim de infância, quando uma coisinha pequena parecia uma tragédia gigantesca, você, depois de uns minutos, começa lentamente a se desligar e lembra do que leu logo cedo.

Tu És em Mim Profunda Primavera

O sabor da tua boca e a cor da tua pele,
pele, boca, fruta minha destes dias velozes,
diz-me, sempre estiveram contigo
por anos e viagens e por luas e sóis
e terra e pranto e chuva e alegria,
ou só agora, só agora
brotam das tuas raízes
como a água que à terra seca traz
germinações de mim desconhecidas
ou aos lábios do cântaro esquecido
na água chega o sabor da terra?

Não sei, não mo digas, tu não sabes.
Ninguém sabe estas coisas.
Mas, aproximando os meus sentidos todos
da luz da tua pele, desapareces,
fundes-te como o ácido aroma dum fruto
e o calor dum caminho,
o cheiro do milho debulhado,
a madressilva da tarde pura,
os nomes da terra poeirenta,
o infinito perfume da pátria:
magnólia e matagal,
sangue e farinha, galope de cavalos,
a lua poeirenta das aldeias,
o pão recém-nascido:
ai, tudo o que há na tua pele volta à minha boca,
volta ao meu coração, volta ao meu corpo,
e volto a ser contigo a terra que tu és:
tu és em mim profunda primavera:
volto a saber em ti como germino.

Pablo Neruda, in "Os Versos do Capitão"