14.10.10

Vargas Llosa escreveu tão bem sobre a Guerra de Canudos em A Guerra do Fim do Mundo, que durante a leitura, traduzida para a língua portuguesa, muitas vezes nos esquecemos que ele é peruano. A idéia surgiu de um convite do cineasta Ruy Guerra para um roteiro sobre o conflito.O filme parece que não deu certo e o episódio ainda abalou a relação entre os dois. Foi nessa época que Vargas Llosa morou em Salvador/BA e passou um bom período pelo interior da região, lendo e pesquisando tudo sobre Canudos, inclusive a obra de Euclides da Cunha. Depois dessa imersão ele reescreveu o roteiro que havia feito, transformando-o numa obra de ficção que é hoje uma referência literária sobre o conflito.E quando li o que o autor escreveu sobre Jorge Amado, por ocasião do seu aniversário de 70 anos, tive a certeza de que ele conhece a terra sobre a qual escreveu.
Agora, em recente viagem ao Brasil, pós Nobel, ele expressa sua opinião sobre o nosso momento político. Com certeza, essas declarações vão dividir opiniões.

"Lula fez evolução notável na política interna. Há no Brasil um desenvolvimento que impressiona o mundo inteiro, conduzido por posições democráticas admiráveis. O que lamento é que (ele) não tenha uma política internacional equivalente" (...)

“Me entristeceu muito ver Lula confraternizar com o regime decrépito e assassino de Cuba e com o ditador Fidel Castro no mesmo instante em que um dissidente político morria em consequência de uma greve de fome. É horrível também vê-lo relacionar-se com o ditador do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, líder de um regime tirânico que condena à morte por apedrejamento mulheres supostamente adúlteras e suprimiu as liberdades públicas no país”.

Mario Vargas Llosa, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, durante bate-papo com Ricardo Setti na Editora Abril, em São Paulo.

3 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Não se pode contestar as palavras de Vargas Llosa sobre esse assunto. Mas se pode contextualizar a situação, não acha? Vejo diversos chefes políticos mantendo relações diplomáticas com países que não são exatamente exemplos de respeito aos direitos individuais como, por exemplo, a China. E não escuto - ou leio - as devidas recriminações. Não acho que a política internacional seja o que queremos mas é, na minha opnião, razoavelmente conduzida e pode melhorar progressivamente com o espaço que o Brasil tem obtido nas relações externas.
PS. Ai, ai, este período eleitoral me deixa nas tamancas, né? bjs

Turmalina disse...

Borboletinha...é verdade, independentemente das relações com esse ou outro líder, o Brasil goza hoje de boa reputação externa.O que o TAO me insinou é sempre tentar ver o lado bom e o mau das situações.
P.S. E nessas épocas eu prefiro tirar as tamancas porque eu me conheço...rsss...Bjos

Pitanga Doce disse...

Meninas, nem me falem em eleições nem em tamancas que isto aqui virou um sururu de capote. Não quiseram cassar o Color porque usou sua própria máquina eleitoral lá nas Alagoas? E O Dono do Pedaço na usa a máquina maior de todas pra apoiar a mulherzinha dos olhos repuxados? Eu não entendo mais nada!