21.3.10

Eu ia escrever sobre a imprevisibilidade de um modo geral. Afinal toda a equipe estava prontinha para rodar as duas últimas cenas do filme e a atriz principal caiu de joelhos na noite de ontem e está com a perna inteira imobilizada.E era uma cena delicada que acabava com ela levantando-se da cama enrolada num lençol. Tivemos de avisar à todos que as filmagens ficaram para a semana que vem, inclusive a equipe de uma T.V. universitária, que iria acompanhar a produção de hoje. Daí que, sem relação alguma com o que aconteceu com as filmagens, lembrei-me da conversa que tive ontem com uma amiga e de um texto da Martha Medeiros, que deixo aqui à quem possa interessar:

A IMPONTUALIDADE DO AMOR

"Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo.
Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar.
Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha. Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver.
Por que o amor nunca chega na hora certa? Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.
O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.
O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole.
O amor está em todos os lugares, você que não procura direito. A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender."

5 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

"O amor odeia clichés". Grande verdade, mas isso também se aplica a outros parâmetros da vida. H´muita gente que cutiva a artificialidade no seu dia a dia.

continuando assim... disse...

antes de mais nada, as minhas desculpas por este comentário não ter a ver com o post...
ma é só um

Convite

O livro "Continuando assim...", foi maltratado...

Resolvi por isso, e porque tanta gente não encontra o livro onde deveria estar (nas livrarias), recontar a história
Lá no …. Continuando assim…

Vamos em metade da história, o livro reescrito, não está igual (nem poderia!) ao que foi editado.
Obrigada a todos os que vão seguindo ( pois só assim vale a pena).
E já lá vão mais de 200 comentários de pessoas tão diferentes umas das outras…
Um obrigada especial a quem ainda não conhece, e chega de novo

Mais uma reflexão em relação a todo este assunto, e um conselho, se é que me é permitido:

--- quando vos pedirem dinheiro para editar as vossas palavras, simplesmente digam que não ---
BJ
Teresa

Zoe disse...

viva turmalina
depois de três semanas de ausência, quantas saudades eu já não tinha de ler os meus blogs! adorei este texto sobre a impontualidade do amor, aliás a impontualidade da dor, do sofrimento, da doença e da morte também.
beijinho
grande
zoe

Pitanga Doce disse...

Turmalina "de mi corazon" eu nem vou dizer nada porque esse assunto de amor que chega na hora errada...mas o melhor é que chega, mulher! hehehe

Turmalina disse...

Carlos, Zoe e Pitanga... eu não acredito no clichê do príncipe encantado e nem que é preciso sofrer por amor.
Penso que o amor esteja aí sempre, hora mais presente, hora mais ausente. E todo esse amor não pode estar concentrado numa única pessoa, seria injusto. Acredito que amamos pessoas diferentes de formas e intensidades diferentes.
E concordo plenamente que o amor é onipresente e imprevisível :o)
Teresa...obrigada pelo convite..tô indo lá :o)