18.2.12

Os últimos quatro filmes que assisti, embora diferentes, são bem semelhantes e acabam tratando, cada qual de maneira muito peculiar, do mesmo tema, a proximidade da morte ou ela propriamente dita. Gostei mais do que abordou a morte de forma bem simbólica e um tanto poética e filosófica.Todos nos levam a refletir o quanto morremos lentamente, ou não tão lentamente assim, em vida. Em todos os roteiros a morte é uma sombra, mais ou menos sombria.
Vou começar pelo que menos me agradou, o "Melancholia", do Lars Von Triers. A personagem principal já está estampada no título do filme.Acho que meu maior problema seja a resistência ao trabalho da Kirsten Dunst.Honestamente só gostei dela em "Virgens Suicidas". A abertura do filme, embora um pouca longa, é lindíssima. O que ganhou a minha atenção foi o trabalho da Charlotte Gainsbourg, simplesmente perfeito, impecável do começo ao fim.O cenário é muito bonito e algumas imagens são primorosas, mas não sei se compensam. Lars Von Triers tonou-se "persona non grata" depois de umas declarações anti-semitas em Cannes.O gosto amargo que o filme deixa em nós acho que colaborou para todo o mal estar.
Em seguida estão dois filmes que gostei, mas não adorei. O primeiro foi "A Arvore da Vida". Considero Terence Malick um questionador social, mas neste filme o achei um pouco transcedental demais.É verdade que é um filme que pulsa, seja através das imagens inseridas propositalmente no contexto ou pelos diálogos que retratam muito bem as relações familiares que estruturam a trama.Mas foi um filme que não me conquistou, apesar do bom trabalho do elenco, principalmente dos meninos.
O segundo, este sim, me pegou pela boca do estômago.Iñárritu não fez feio e Javier Bardem, como Uxbal, nos faz ter vontade de pular dentro da tela para salvá-lo, ou pelo menos sua alma, uma vez que seu corpo não tem salvação."Biutiful' é um filme, pesado, denso e abafado, quase sufocante.Mas o mal estar provocado por Iñarritu, bem diferente de Lars Von Tries, é suportável.Ele costura bem as misérias humanas.
O último é o que mais gostei, talvez por ser mais leve e pela criatividade no retratar um tema já bem batido no cinema: as epidemias. Ridiculamente traduzido como "Sentidos do amor", o filme "Perfect Sense" traz um par de atores protagonistas mais famosos que o próprio diretor. E com certeza, são eles que fazem o filme. O olhar desafiador de Eva Green ao lado do sempre apaixonante Ewan McGregor.E Glasgow faz um excelente pano de fundo.É um filme que fala de limitações, sejam de ordem física ou psicológica, inquietações, amor, mas que nos faz refletir sobre muito mais.
Tem gente que detestou, mas eu gostei bastante!

2 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Só vi Melancholia" e "A Árvore da Vida" ( ambos em Cannes), mas gostei muito dos dois. No entanto, confesso, não sei bem porque me encantei com Melancholia...

Turmalina disse...

Carlos..."A Árvore da Vida" não é um filme ruim, mas não me diz muita coisa não.Não consegui desvinculá-lo do American Way of Life e seus ideais de (in)felicidade."Melancholia" tem sua beleza estética e muita força no argumento, mas minha birra com a atriz platinada dificulta um honesto gostar.