16.7.11

Tem dias em que me pergunto se existem e quais são as razões divinas e a resposta fica bem difícil.Acabei de entrar no FB e encontrei o um recado de uma amiga (que sabe que é inútil tentar falar comigo ao telefone, principalmente sendo final de semana).Liguei prá ela e em poucos segundos ela estava dizendo:
- Cá, chora comigo!
Nós nos conhecemos desde que tínhamos uns 13 anos.Passamos diversas férias juntas em família.Infelizmente eu me mudei e nos vemos muito pouco.
No ano passado seu pai morreu, ficou doente e em menos de três meses foi-se.Ela era o xodó dele. Se casou e teve duas filhas, também xodós do avô.E elas tem a idade que tínhamos quando nos conhecemos, ou seja, são muito novas ainda.
Na quinta feira seu marido sofreu um acidente de carro e não resistiu.E ela me perguntou porque é que isto estava acontecendo com ela.Eu não sei. Nessas horas nada serve de consolo, nem karma, vidas passadas, vidas futuras, nada.
Imaginem a dor da pessoa que só o que quer agora é uma amiga para chorar com ela porque já chorou demais.
Ela está na casa da mãe e ficou de tentar voltar para casa na semana que vem.Eu fiquei de ir prá lá.O que é ruim é que mesmo que se passe uma semana, um mês, um ano, uma vida, acho que ainda não terei uma resposta.Hoje sei que vou dormir dolorida porque não sei ficar insensível às dores alheias, mais ainda quando o alheio é muito próximo.

7 comentários:

Giane disse...

Oi, Tur.

Há dois anos, no trabalho, o pai de uma colega morreu. A supervisora pediu que Eu a acompanhasse até a enfermaria na empresa, porque a moça estava muito triste. Fui e encontrei-a quieta, quando me viu ela começou a falar do pai. Não tinha muito o que Eu pudesse dizer ou fazer. Ela começou a chorar, lembrei do meu pai e ao abraçá-la, acabei chorando junto com ela. Senti-me péssima. Ao invés de "dar uma força", acabei por deixá-la ainda mais triste.
Os parentes vieram buscá-la e ela foi embora, velar e enterrar o pai.
Encontrei-a dias depois, constrangida pedi desculpas e recebi agradecimentos. Ela falou que foi bom ter com quem compartilhar suas lágrimas e sua tristeza em um momento tão difícil.
E sequer éramos tão amigas assim.

O que precisamos nessas horas não é uma justificativa para o destino ou razões da Vida, Tur.
O que precisamos é de uma Presença Amiga. Presença que nos abrace, chore, fale ou fique em silêncio, mas que nos conforte.
E acredite, isso basta.
E muito.
Bom Vocês poderem contar uma com a outra.

Beijos mil e Fiquem Bem e no Bem.

Blondewithaphd disse...

Ui, meu Deus, o que essas dores custam... E essas são daquelas que ficam sempre.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Momentos bem doridos, muito difíceis de ultrapassar. Sorte sua amiga ter seu ombro para chorar!
Regressei de férias mas ainda estou um pouco "preso" de cabeça. Ando a visitar a vizinhança e passo para deixar um beijinho. respostas às suas perguntas, durante a minha ausência, vai ter em post com dedicatória.

Turmalina disse...

Gi..nessas horas temos a certeza do nosso lugar no mundo.Obrigada por compartilhar esse momento...beijos grandes :o)

Turmalina disse...

Blonde...acho que essas dores diminuem, mas nunca passam.Não aprendemos a superá-las, somente a colocamos num cantinho, naquele espaço vazio que representa tudo o que já perdemos.E assim temos de seguir adiante :o)

Turmalina disse...

Carlos...seja bem vindo.Muitas vezes eu brinco que fui feita grande para poder abraçar e suportar todas essas dores.Como se de alguma coisa eu pudesse recebê-las e amortecê-las. Mesmo que isso seja só uma imagem, funciona como conforto para os outros.Obrigada :o)

Pitanga Doce disse...

Faz hoje dois meses procuro essa mesma resposta. Quando é que pára de doer?

Boa tarde, menina Turmalina