18.6.11

Sobre amor, paixões, amizade e casamento

Toca o telefone.É a Júlia querendo um conselho amoroso.E eu que não sou de dar conselhos acabei falando sinceramente o que achava. Afinal a Júlia tem só vinte anos, teve uma meia dúzia de namorados, e já se apaixonou e desapaixonou uma dúzia de vezes. Ela me liga para falar sobre um amigo que temos em comum, com quem ela costuma sair quase toda semana para ir ao cinema, comer, correr ou tomar café. Agora ela me confidenciou que da última vez que estiveram juntos, pintou um clima diferente. E o que é que eu acho que ela deveria fazer? Primeiro eu perguntei como se sentiu. E ela disse:
- Tentada, porque ele é muito fofo!
Achei muita graça na resposta e continuei:
- Então experimenta!
- Não posso, tem a diferença da idade e somos muito amigos.
- Pois coloque isso prá ele.
- E ele vai entender?
- É claro que sim, ele não tem 20 anos, tem 40 e é um cara com uma cabeça muito boa.
- Mas, não sei, acho que falta aquela paixão.
- Que paixão, Júlia?
- Aquela que faz a perna tremer, a mão gelar, as palavras sumirem e o coração bater mais forte.
- Esquece essa paixão, se você pensa em construir algo com alguém, ela só atrapalha.Ele é um sujeito legal, companheiro, bem humorado e que trata você com respeito, consideração e...sei lá, Júlia.É uma decisão que você que tem que tomar.
Percebi que ela não estava segura e achei melhor deixá-la pensar, afinal eu já havia falado demais.
- Mas muita gente casa apaixonada é dá certo.
-Dá certo porque depois a paixão diminui e aquele sentimento transforma-se em amor e cumplicidade.
- Na verdade já somos cúmplices.
Nessa hora não aguentei e palpitei mais um pouco.
- Então, se eu fosse você, eu arriscaria.O que você está esperando? Uma grande paixão?
-Talvez.
Eu fiquei em silêncio e depois de algum tempo ela me perguntou:
- Você já se apaixonou de verdade?
- Já e faz tanto tempo que você nem era nascida.
- E deu certo?
- Deu!
- Deu?
- Deu.Eu me casei com um homem que eu amo, que eu respeito, que é cúmplice e companheiro.E ele também casou-se com uma mulher com quem vive muito bem.
- Então essa paixão foi passageira?
- Não, ela nunca passou e exatamente porque vivemos separados.
- Ah, é muito complicado prá minha cabeça.Mas em todo caso vou experimentar namorar com um grande amigo.Não pode ser tão ruim assim.
- Eu espero que dê certo!



O que sempre nos esquecemos de dizer é que não é fácil, mas vale a pena!

PS. Essa é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade é coincidência.

2 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Será ficção, mas conheço algumas hisórias reais assim e que deram certo. Inclusivé comigo :-)))

Turmalina disse...

Carlos...curta muito esse seu velho novo amor!!! Acho que é o caso, não?