7.11.10

Sem tempo para despedidas

Não posso dizer que meu final de semana foi dos melhores. Na sexta feira, depois de voltarmos de uma saidinha à noite, ao estacionarmos o carro em frente à porta de casa vejo algumas coisas estranhas no jardim. Ao me aproximar levei um choque ao me certificar que eram gatinhos.
Pior ainda foi constatar que eram os dois filhotes machos da ninhada que nasceu há pouco aqui em casa.Deixei meu filho entrar em casa e não disse nada.Meio tonta ainda, consegui chamar o cara metade calmamente e sem fazer muito alarde.Vamos dizer que os meninos aqui em casa não lidam muito bem com perdas e danos.
Um dos gatinhos, o maior, ainda respirava.Tentamos aquecê-lo, dei-lhe florais, mas foi em vão.Estavam pouco machucados.Me parece que uns dos cachorros deve ter pensado que brincava com os gatos.Eles tinham uma única mordida como se algum cachorro tivesse lhes carregado pela boca.É claro que o cachorro que fez isso só pode ser aqui de casa.
Ao ver a movimentação na tentativa de salvar um dos gatinhos meu filho acabou sabendo o que tinha acontecido. Sua primeira reação foi a de querer matar os cachorros.Ele chorava compulsivamente e isso doeu-me.Dei-lhe florais também.
Mais calmo, expliquei-lhe que a natureza é assim mesmo.Que podíamos sentir saudades, mas não evitar que isso aconteça, com quem quer que seja. Não foi negligência. O ser humano tem a mania de sempre procurar os culpados antes mesmo de compreender o que aconteceu. Se bem que eu ainda não entendi o que aconteceu, uma vez que os cachorros nunca pegaram nossos gatos. Eles mantinham uma distância segura, e até que respeitosa, uns dos outros.
As gatas estão bem, as duas mais velhas e a mais nova.Fomos dormir prá lá de chateados e deixamos os gatinhos numa caixinha de papelão. Quem sabe na manhã seguinte acordariam.
Só que no sábado de manhã eles não acordaram.E não podíamos simplesmente jogá-los no lixo.O cara metade, bem cedinho, foi enterrá-los.
A gata mãe ficou chorosa a noite de sexta e a de sábado também.Os cachorros silenciosos e cabisbaixos. E enquanto isso só chovia.Os meninos deprimiram, mas eu os convenci a sair no sábado à tarde.Demos umas voltas, o filhote foi jogar tênis de mesa e mais tarde fomos a uma lanchonete.
Hoje o dia amanheceu ensolarado. Era hora de fazermos as pazes entre os mundos racional e irracional aqui de casa.Fui para o jardim com a desculpa de podar as roseiras.Brinquei com os cachorros, afinal eles não sabem o que fizeram e logo mais chegaram os meninos e as gatas.Ao final de umas duas horas estava tudo em harmonia outra vez.
Eu li, nos livros do Lobsang Rampa, que os gatos absorvem as energias negativas dos donos e do local aonde vivem. Mas eu tinha uma tia que afirmava que cada vez que um gato morre na casa, ele morre no lugar da pessoa que habita lá.Eu não gostaria de pensar sobre esta ótica, porque racionalizando, ela não é confortadora, ela é assustadora.
Hoje a chuva se foi, a saudade ficou, mas tudo está em paz. E espero, sinceramente, uma semana sem muitas surpresas.

2 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

A Lei da Vida prega-nos surpresas desagradáveis e nem sempre é fácil conviver com elas. Confesso que não sei se teria a sua calma...

Turmalina disse...

Carlos...é natural em mim manter a calma nos momentos mais aflitivos.Em qualquer situação de tensão ou perigo, sou o tipo de pessoa que consegue analisar rapidamente o que está acontecendo e tomar uma decisão.Eu desmonto depois...e não que eu seja calma :o)