21.4.10

Tiraram-lhe mais que os dentes

Vejam só... hoje é feriado de Tiradentes, mas se perguntarmos ao vizinho quem foi Tiradentes, ele responderá, quando muito, que foi um mártir. Se perguntarmos seu verdadeiro nome, poucos saberão dizer Joaquim José da Silva Xavier. Os documentos dizem que foi batizado em 12 de novembro de 1746. Não acredito que tenha nascido muito longe desta data porque teimoso que era, só podia ser um escorpiano. Afinal tenho um aqui em casa e sei bem como é.
Nosso amigo Joaquim perdeu os pais e conseqüentemente as posses, ainda muito cedo.Nessa parte da história enquanto o professor explicava os caminhos que nosso herói percorreu até a Inconfidência eu já o via como um personagem de Dickens. Do primário até o ginásio, quando os professores pediam que escolhessemos uma figura brasileira de destaque para retratar, era sempre sobre Tiradentes que eu escrevia, pois já tinha tudo decorado.Hoje minhas escolhas seriam outras.
Voltando ao Joaquim, ele trabalhou como mascate, mineirador, comerciante, explorador, alferes do exército e dentista, daí a alcunha Tiradentes.Ou seja, minha gente, o rapaz fez de tudo um pouco. Mas defendia sempre melhores condições de vida para os seus semelhantes, mesmo trabalhando muito próximo à riqueza proviniente da exploração de minérios.
Depois de muitas andanças, voltou à Minas Gerais aonde já existia um movimento de insatisfação popular e a vontade de tornar o estado independente.Foi nessa época também que no hemisfério norte, as colonias americanas tornaram-se independentes.
E com nosso herói estavam jovens vindos de Coimbra, depois de um período de maturação intelectual. Contavam também com apoio de parte do clero e da elite.Estava fácil, era só riscar o fósforo. Os favoritivismos políticos e os altos impostos fizeram pipocar o movimento.
Em 1789, nossos revolucionários foram às ruas com apoio popular. E eles só queriam instituir um governo republicano independente de Portugal, independência econômica, uma universidade em Vila Rica e fazer de São João del-Rei a capital. Seu primeiro presidente seria, durante três anos, Tomás Antônio Gonzaga e até aí não vi nada demais. Inclusive eles defendiam a libertação dos escravos nascidos no país, que só foi acontecer 82 anos depois, em 1871, com a Lei do Ventre Livre.
Mas por conta do vil metal foram delatados pelo colega de movimento, Joaquim Silvério dos Reis, em troca do perdão de suas dívidas com a coroa. Naquela época já vigorava a máxima "amigo meu é dinheiro no bolso".
O resumo da ópera todos já conhecem, Tiradentes foi condenado e enforcado em praça pública. O mais impressionante é que no dia de hoje comemora-se um fracasso, ou pior ainda, a deslealdade de um colega.
(Imagem: Tiradentes Esquartejado, de Pedro Américo (1893) - Acervo: Museu Mariano Procópio)

2 comentários:

São disse...

Parabéns por recordar esta importante figura de Tiradentes.

Um abraço.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Conhecia a história de Tiradentes, mas não sabia que era escorpiano como eu!