17.3.10

Ontem, ao escutar a trilha do filme Hair, senti saudades do tempo em que saíamos da faculdade e íamos almoçar em um restaurante do movimento Hare Krishna, no final dos anos 80.Eles eram pessoas muito receptivas e eu gostava do que lá comia e principalmente do que ouvia.Eles pregavam a cultura de paz e o culto ao espírito, em busca da consciência pura. Lá eu alimentava o corpo e o espírito por algumas horas, antes de voltar à loucura do dia a dia como estagiária de jornalismo.

Mas nem tudo foram flores para o movimento que começou nos anos 60.Lembro-me do preconceito que sofriam por aqui. As famílias tinham medo que lhes roubassem os filhos.Eu frequentava o local e nem por isso larguei tudo e fui viver entre eles. Talvez quem o tenha feito é porque encontrou entre eles o amor que não encontrava em outros locais.Ou mais, um sentido para a sua vida. Eu gostava da companhia deles e aprendi à amá-los, respeitá-los e admirá-los como amo, respeito e admiro um irmão.
É uma pena que se mudaram da cidade e hoje só existe a lembrança daquele lugar que me fazia tão bem...

A palavra de ordem deles é a devoção e respondem a algumas perguntas dessa forma:
Quem eu sou? Eu sou uma alma espiritual, uma pequena partícula espiritual presa no corpo material. Essa partícula espiritual é o que dá vida
ao corpo material. O sintoma dessa partícula divina é a consciência.
Por que sofremos? O corpo e mente são apenas coberturas grosseiras e sutis da alma. A alma, nosso verdadeiro “eu”, nunca fica com calor ou frio, nunca quebra ou fica dolorida. Mas quando o espírito se identifica com o corpo, esquecendo-se de sua real posição, aí abrimos o caminho para todo tipo de sofrimento.
Qual o propósito da vida? O objetivo máximo da vida é viver na plataforma mais elevada de puro amor divino.
Com eles compreendi o que significavam os mantras e também a importância do meu espírito e de conservá-lo íntegro. Não por causa dos outros e sim para mim mesma, como parte do meu processo evolutivo.Eu já havia freqüentado diversas aulas de yoga com a minha mãe, por volta dos meus 12 anos, mas lá só aprendi à meditar sem ter muito conhecimento de toda aquela filosofia, muito distante da minha realidade.
E justamente é a distância entre as realidades que está sempre presente na minha vida.Eu estou sempre muito distante das realidades que mais chamam a minha atenção.Ontem um amigo me perguntou se quero mudar o mundo e eu respondi:
- Eu quero!
Não posso acreditar que esteja tudo perdido. Tem de haver uma solução.E estar de mãos e bocas atadas é o que me faz sofrer. Eu quero falar, eu quero mostrar, eu quero reclamar, eu quero ser ouvida, eu quero realizar mudanças. Eu quero crianças verdadeiramente amadas, eu quero pessoas sendo respeitadas pelas suas diferenças e também pelas semelhanças, eu quero menos violência, eu quero paz entre os povos e quero principalmente pessoas mais conscientes.
Voltando aos Hare Krishna, foram eles que criaram o programa "Alimentos para a vida", em 1974, que já distribuiu mais de 58 milhões de refeições lacto-vegetarianas nas últimas duas décadas.Aqui no Brasil um bom exemplo deste trabalho pode ser acompanhado
aqui.
Um bom dia para todos!

2 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Só convivi de perto com os Hara Krishna na Índia, mas partilho do seu sentimentos.
Um pouco mais tarde, já nos anos 80, tive uma experiência semelhante com os Bahai.
Interrogo-me sobre o que se passa com a Igreja Católica, que não consegue motivar a maioria dos jovens. Creio que o problema é terem parado no tempo...

ameixa seca disse...

O problema é que há o dobro de gente e não querer que essas coisas aconteçam. É como cavalgar contra a maré... uma frustração mas devemos sempre fazer a nossa parte, né?