8.9.09

Cheguei em casa cansada demais até mesmo para pensar. De manhã foi aquele calor, aquele abafo absurdamente insuportável e logo no começo da tarde o céu desabou.Antes de qualquer coisa tomei um banho e deitei alguns minutinhos. Aquilo foi me dando um vazio, mas um vazio tão imenso que levantei e fui direto prá cozinha inventar alguma coisa para o jantar.
Hoje cedo encontrei um funcionário bem antigo da empresa e achei-o meio derrubado. Eu, com esse meu jeito fofo de ser, já fui logo perguntando o que se passava. E ele descarregou tudo o que lhe deixava daquele jeito.Até mesmo os questionamentos sobre o sentido da vida com umas respostas nada otimistas.No final da tarde, tendo de pegar um daqueles 4 elevadores, sempre lotados, também fiquei me perguntando qua era o tal sentido.Aindo escuto no elevador um diálogo que me deixou um tantinho pior. Dois molecotes, de uns 12 ou 13 anos , conversavam sobre a visão do elevador panorâmico. O mais baixinho, que batia abaixo do meu ombro dizia :
- Olha, dá prá ver a Glicério lá na frente.
- Aonde? Que não estou vendo.
- Alí na frente. apontava o menino com um monte considerável de contas pagas na mão. Provavelmente trabalhava de office boy em uma daquelas quase 600 salas. O elevador ia parando nos andares, as pessoas iam se apertando e os meninos falando. Aí o maior deles disse:
- Eu queria volta à estudar, mano.
- Por que não volta?
- Quando eu saí a diretora disse que se eu quisesse voltar, minha mãe ia ter que ir lá.
- Ué? Pede prá ela.
- E até parece que ela vai, né?
- É , aí é dificíl.
E os dois continuaram a acompanhar o trajeto do elevador.

4 comentários:

Pitanga Doce disse...

O fato dos meninos trabalharem não tem nada demais, nada mesmo. Sempre as crianças de famílias menos favorecidas tinham os filhos a trabalharem em mercearias, entregando compras de bicicleta. Acho que isso dá-lhes um sentido de valor ao dinheiro e o que fazer para consegui-lo. O fato de não mais estudarem é que é triste. Aí sim, os pais deveriam ser chamados à razão.

Um dos meus amigos de adolescência tinha uma vida muito difícil e apesar de estudar no centro, numa escola pública, é claro, no tempo em que a escola ERA escola ,morava no subúrbio e muitas vezes era o meu pai quem lhe pagava a viagem de volta para casa. Formou-se e hoje é Procurador da República.


boa noite, Turmalina, e será que esta chuva vem pra cá?

ameixa seca disse...

Há dias assim que nos colocam para baixo. Mas amanhã é um novo dia. Temos que ser optimistas e ter fé :)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

São os momentos que nos permitem relativizar os nossos problemas que nos enriquecem. De qualquer modo, eu hoje também estou tão cansado, que só me apetece estar aqui no Rochedo olhando o mar. Sem fazer nada, mesmo. Creio que é isso que vai acontecer depois de acabar esta visita. O post da noite já está agendado, vão dar chuto no trabalho p´ró resto do dia.
Obrigado eplo link que me enviou. Sabe que também ttinha no meu blogue, uns dias atrás e esqueci?
Isto é cansaço ou velhice, não sei bem ainda!

Turmalina disse...

Pitanga, atualmente os pais deveriam ser chamados à razão com mais freqüencia :o)
Ameixinha, vc sabe que eu tento, né?
Carlos, o melhor é nem procurar o motivo do cansaço :o)