21.5.14

Tenho percebido que o que me separa é exatamente o que me aproxima do meu país.Eu queria vibrar como os mais entusiasmados ao contrário de ter aqui dentro uma leve vontade de ir embora.Faço parte de uma mão de obra que trabalha para pagar impostos e sustentar um sistema teoricamente eficiente, mas na prática, totalmente falido.
Somos um país de dimensões gigantescas e é bem capaz que tenha gente boa se beneficiando com nossas políticas públicas. Mas por aqui é que não é.Se ainda tivéssemos segurança dava para aguentar uma coisa aqui e outra alí, mas estamos presos em nossas próprias casas e olha que isto não é garantia de escaparmos de algum tipo de violência.Trabalhamos honestamente a semana toda e aos sábados e domingos, quando podemos relaxar, temos que tomar cuidado para não sermos assaltados ou coisa pior.
No "coisa pior" podemos incluir nosso sistema de transporte, que é caótico.É tanta lei prá cá e prá lá e nada funciona.O nosso trânsito mata mais que a nossa falta de médicos.
E a culpa é, generalizando, do governo sim, e até mesmo da Igreja.O problema não é este ou aquele partido não, é o todo.Que perspectiva tem, por exemplo, um jovem de classe média baixa? Os pais se matam de trabalhar para dar um mínimo de conforto para a família, que geralmente é grande, porque afinal aborto é proibido.Não existe perspectiva para o jovem e muito menos para os pais.Enquanto estão trabalhando, seus filhos, quando conseguem vagas em escolas, recebem uma educação sofrível e é claro insuficiente.A tal da educação continuada acabou com o resto de dignidade que o sistema educacional ainda tinha.
Isso sem contar que existem profissões muito dignas que estão marginalizadas.Ninguém mais quer ser motorista de ônibus, faxineira, auxiliar de cozinha, jardineiro, padeiro, garçom e etc.Como se estas profissões diminuíssem as pessoas.
Se alguém adoecer o negócio é rezar.No sistema público de saúde é capaz de morrer na fila, enquanto que no privado, com muita sorte, consegue receber um atendimento razoável e reza outra vez para não deixar as calças numa farmácia, da tradicional à de alto custo.O governo até fornece medicação de alto custo, mas quando tem para fornecer.Assim como tudo mais que diz respeito ao sistema de saúde.
Ao contrário de uma grande parte da população, não critico a bolsa família, afinal não sou o tipo de pessoa que vê alguém passando fome e acha normal.Já conheci algumas pessoas cujos filhos não passaram fome por causa do benefício.Mas acho um desperdício um país tão rico em solo e clima não incentivar a agricultura familiar.
O salários dos nossos políticos ainda é algo que me aborrece um pouco, não acho justo na relação custo/benefício.E que me corrijam se eu estiver errada.
Só prá terminar com o que anda me incomodando, não consigo compartilhar do mesmo entusiasmo daquela turma que já está se preparando para torcer pela seleção brasileira na Copa do Mundo.Ninguém pensa que neste projeto foi gasto uma enorme quantidade de dinheiro, público e privado, que poderia ter sido usado para melhorar o nosso país? Ficar 90 minutos acompanhando uma bola e jogadores que certamente ganham muito mais do que a maioria das famílias brasileiras, numa espécie de idolatria.Estão idolatrando exatamente o quê? Sei lá, acho que eu penso é muito diferente...melhor continuar quieta no meu canto.
Fui!


2 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Enquanto lia o seu post, ia encontrando mais razões para justificar que sejamos irmãos. E se calhar, gémeos! :-)

Turmalina disse...

Carlos...e não é?