7.11.12

Minha mãe diz que tenho algum problema sério, que devo ter batido forte a cabeça ou coisa parecida, porque gosto mesmo de ir ao dentista, principalmente porque por volta dos sete anos eu mordi a mão de um sem dó nem piedade.Hoje chego a ir umas duas ou até três vezes em um ano.
Sempre vou achando que tem alguma coisa errada e está tudo certo.
Hoje não podia ser diferente. Sento, abro a boca e aponto o indicador para o fundo dela:
- Tem uma manchinha alí no fundo, acho que é cárie.
- Dói?
- Não, mas eu acho que é cárie!
O paciente dentista olha, olha, raspa com uma espátula e diz:
- É mancha!
- Tem certeza? Olha de novo.
Aqui qualquer outro já teria sido mal educado comigo.E volta o dentista pra minha boca:
- É mancha mesmo!
- Mas como, se eu nem fumo?
- Porque é normal, com a idade podem aparecer algumas manchas nos dentes.
- Então você pode olhar os outros também?
- Algum dói? A gengiva sangra?
- Não e não também.
   Depois de uma inspecionada minuciosa ele decreta:
- Não há nada de errado aí.Nem tártaro para ser removido.Pode ir e só volte no ano que vem.
- Tem certeza?
Ainda bem que ele me conhece desde os 15 anos de idade.Haja paciência.Mas acho que isso é trauma de infância, provavelmente alguém devia me dizer que se eu não cuidasse dos dentes ia perdê-los todos.Acho que era meu pai e pelo jeito o discurso funcionou.
 

2 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Essa predilecção por dentistas só pode mesmo ter explicação Freudiana!
Como já escrevi em tempos lá no On the Rocks,a única coisa que me alegra quando vou à dentista, é saber que vou passar uns momentos a poder olhar fixamente aquela beleza balzaquiana, sem que ela me dê um fora :-)))

Turmalina disse...

Carlos...acho que só mesmo Freud...eu gosto da sensação pós consultório, os dentes todos muito limpos, brilhando como num comercial de pasta dental e a sensação de frescor na boca.
Com certeza nossas motivações são bem diferentes :o)