13.11.11

O calor ontem estava escaldante e nada de uma única gota de chuva. Penso que os organizadores do SWU devem ter colocado um ovo para Santa Clara no telhado de alguma tenda montada por lá.Por sorte o nosso encontro de 21 anos de formados aconteceu num local com ar condicionado.
Mas era tanto calor humano que nas fotos de grupo, naquele abraço coletivo e fraternal, a maquiagem dos olhos começava a derreter.Ou então era a menopausa se anunciando, afinal já passamos todas dos 44.
E é gratificante constatar que continuamos os mesmos. Foi como se tivéssemos retomado uma conversa que começamos há 21 anos e que por tão diversos motivos foi interrompida, não sabemos nem bem porquê.Cheguei rouca em casa depois de quatro intensas horas de conversação.
No meu dia a dia convivo mais com burocratas, artistas e gente que se acha sem ser.Ontem percebi como faz falta, deixa uma lacuna, o convívio com gente que pensa como você.E o contato físico, o abraço, o sorriso e as gargalhadas fazem um bem danado.Saí de lá com o maxilar dolorido de tanto rir.Isso sem contar as lembranças de jovens universitários que na verdade não sabiam nada da vida que os esperava além dos bancos da faculdade.


Um amigo de classe, com excelente memória, lembrou das roubadas em que nos metemos quando no primeiro ano de faculdade, ainda nas fraldas, resolvemos eu, ele e mais meia dúzia de colegas mais intrépidos, participar de um congresso de comunicação.Só esse capítulo rendeu mais de uma hora de conversa.
Vejo hoje que somos sobreviventes e vencedores de um período de transição na comunicação. Saímos das pesadas máquinas de escrever para um tecnológico mundo novo que avançava sobre nós rapidamente.E nos adaptamos muito bem ao novo.


(Fonte da primeira imagem: Carlos Luz)

4 comentários:

Lucia Luz disse...

Esses encontros são maravilhosos. Não sei porque não fazemos isso pelo menos duas vezes ao ano não?
Beijinhos

Lucia

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Tive há pouco tempo um desses encontros, com amigos andarilhos como eu que vão regressando a Portugal. A sensação de déjà vu, sobre este país que retrocedeu 40 anos em apenas três meses, deixa-nos a todos assustados e com vontade de voltar a emigrar...

Turmalina disse...

Lucia...moramos todos muito espalhados.Dos 52, poucos(uma meia dúzia) foram os que ficaram aqui.Nem acredito que conseguimos reunir mais da metade do grupo.Beijos

Turmalina disse...

Carlos...é uma pena que as coisas tomaram esse rumo em Portugal. Aqui temos muito para comemorar, embora a impunidade e corrupção tenham tomado espaço em boa parte das nossas conversas.Na verdade, para os jornalistas brasileiros, ficou mais fácil trabalhar porque os políticos perderam a vergonha na cara.Todo dia sai uma denúncia nova, um escândalo ou uma barbaridade que sabemos que acabará em nada.E aqui, como em meio mundo, ainda existe muito marketing no jornalismo.Mas dá prá trabalhar, embora eu prefira a serenidade dos roteiros cinematográficos e um trabalho burocrático que pague as minhas contas.