11.11.11

Final de ano, época de provas, volto a estudar aqui em casa.E as disciplinas são sempre as mesmas, História e Filosofia.Assim como um pouco de interpretação de texto, porque a gramática é tranqüila.Talvez melhor que a minha, mais atualizada e dentro do novo código ortográfico.
Penso que a disciplina Filosofia não deveria julgar o conhecimento do aluno através do seu entendimento e sim pelos seus questionamentos.Agora estão estudando o "amor" em todas as suas formas.Se numa vida inteira não somos capazes de defini-lo, imagine então, aos 15 anos ter de colocar no papel os significados de tão complicado sentimento.E considero a "correção" dos conceitos em prova um tanto quanto arbitrária.
Quanto a História, hoje cedo li uma frase que se encaixa perfeitamente para o meu filho: o que os olhos não veem a mente imagina de um jeito três vezes pior.A História que ele "aprende" na escola é muito fracionada e nada visual. Aí eu pego toda a América Latina, enfio tudo num saco e vou traçando os paralelos entre a economia e política dos países.
Porque tirando algumas características bem específicas como o nome de alguns governantes e ditadores, muita coisa é comum à eles.Coloco formas e cores que meu filho conhece e dá certo.Pior foi ele achando que além do Raul , o Che Guevara também era irmão do Fidel. E que Pancho Villa era espanhol, ele e o Zorro, né? E também não contaram que Isabel Allende, que ele também não sabia quem era, era sobrinha de Salvador! E nas apostilas, Getúlio Vargas cometeu suicídio e ponto.
Para terminar o dia ele comentou que achou o Alienista, de Machado de Assis, totalmente sem sentido. Decidi reler o conto para tentar explicar-lhe a importância da obra.Ele entende que aquilo só se passou porque existe uma relação de poder que transcende a lógica.Mais complicado ainda quando se tem uma mãe que acha que ninguém é normal e ainda bem!
O que ele não compreende é como as coisas eram resolvidas na época em que o texto foi escrito.É muito distante dos dias de hoje.E lá fui eu "desenhar" outra vez.
De Alienista para Alienado é um pulinho...por sorte esse tem mãe. E os outros?
É nesses dias que me pergunto como anda a educação no Brasil.E eu ainda tenho de pagar por ela...

2 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Apaixonei-me pela Filosofia assim que a conheci, Turmalina. Considero-a uma disciplina essencial à formação de um ser humano, mas tive a sorte de ter um excelente professor, porque a Filosofia pode ser como uma bomba, se manjada por mãos ( mentes) erradas.
Infelizmente não tive uma mãe que me ajudasse a sim em Filosofia. Ela até me acahava um pouco estranho, por gostar de coisas esotéricas. quando tive 19 (em 20) no exame para entrada na Universidade ela percebeu, definitivamente, que tinha um filho meio avariado.

Turmalina disse...

Carlos...tive alguns problemas também com um professor de filosofia. Desde cedo defendia que verdades não são absolutas.Apesar de excelente aluna, desde o primário, tive problemas por causa dos meus posicionamentos.E até hoje penso que continuo certa, embora não a dona da verdade, pois ela é relativa.Sendo assim, nem mesmo as minhas mais absurdas incursões esotéricas causaram estranheza.Fico feliz em saber que sua mãe tem um filho meio avariado, que o meu assim seja :o)