10.4.07

Hoje meu coração se enterneceu de tal maneira que quase derreti e virei choro!
Eu tinha uma reunião agendada para esta tarde em uma Instituição de Apoio à portadores de Aids, para definirmos as filmagens do meu documentário. Foi a primeira vez que tive um contato mais direto com a doença, ou melhor síndrome, pois ela é muito complexa para chamar-se simplesmente doença.É algo que nos atinge na essência do ser.
O que mais me impressionou foi a afirmação, baseada em dados concretos, de que a sobrevida de um portador hoje, é de no máximo 50 meses. Mas e o que vemos nos notíciários? É uma minoria.A maioria, que têm acesso ao coquetel de 13 medicamentos fornecidos pelo governo, sabe que a morte se aproxima à cada dia.E é isto que mata, afinal, o que é a vida sem expectativa de viver?
É como se tivessem libertado Tânatos, o Deus grego que tem pressa e mata com voracidade.E do outro lado desta guerra injusta estão anjos como o pessoal que trabalha nesta Instituição.Infelizmente para as pessoas em tratamento por lá, Sísifo não vai descer dos céus trazendo-lhes a imortalidade.
Ouvi histórias de como o preconceito é implacável e vi nitidamente que ninguém contrai Aids porque quer.Tive um breve contato com uma adolescente de mais ou menos 15 anos e uma profissional do sexo. Cada qual reagiu de forma diferente à minha presença.O que mais me chocou foi a adolescente, parecida com aquelas que vemos diariamente nas bancas em revistas do tipo "Capricho".Seu olhar é de revolta e amargura.
Segundo o Ministério da Saúde, à cada 6 minutos uma pessoa é infectada pelo vírus da Aids. E boa parte nem imagina!
Os profissionais que lá trabalham conseguem o impossível: dar esperança e dignidade prá quem tem os dias contados.Alí se aprende à viver de novo.
Eu estava apreensiva em relação à como meu roteiro seria recebido.E não podia ser melhor recebido do que foi...ele fala exatamente o que estas pessoas mais querem dizer: chega de preconceito, a Aids existe, estou aqui e quero viver!!!

3 comentários:

Claudia * disse...

Sem querer amenizar nada pois não há o que amenizar, 50 meses é muito pouco!

Eu mesma conheço pessoas que estão infectadas há bem mais tempo que isso e gozam de saúde para continuar trabalhando e levando uma vida, a despeito das medicações e das precauções, totalmente normal.

Se quiser, posso te indicar um amigo médico infectologista que atua na área no hospital Emílio Ribas, que terá prazer em atendê-la e muní-la de mais informações para sua pesquisa.

Turmalina disse...

Oi Clau
Eu sei que tem pessoas que vivem mais...mas a sobrevida de 50 meses é uma realidade diária na Instituição que visitei.Com os recursos que eles têm, as pessoas não vivem muito mais.Aqui não é uma capital tão moderna assim como aí...apesar de cidade grande , muitas vezes parecemos uma pequena província.O governo concede o coquetel com os 13 remédios básicos, mas o tratamento envolve muito mais do que isso....aqui estamos falando de pessoas extremamente carentes, em todos os sentidos. Eu fiquei surpresa com o número de portadores que escondem a doença da família e dos amigos.
A não aceitação é o primeiro fator que encurtar a sobrevida.
Eu agradeço a oferta, mas o documentário, por ser cinematográfico e não jornalístico, não vai entrar em tantos detalhes,é mais visual...Eu é que estou absorvendo mais informação.É o eterno espírito jornalístico!!!

Claudia * disse...

Ok Tur entendi sua posição.

Boa quarta feira :o)