10.10.09

Meu dia foi prá lá de produtivo...organizei algumas coisas de manhã na cozinha, depois fui receber o rapaz do beliche lá no abrigo. As crianças tinham saído para um passeio por ocasião do Dia das Crianças.Ficaram só os bebês e dois meninos.Entrei com o rapaz da fábrica e mostrei-lhe o abrigo e o local aonde deveria deixar o beliche e os colchões. Foi tudo super rápido. Mas ao me despedir, dei-lhe a mão e ele se emocionou. E depois, secando as lágrimas disse o quanto se sentia feliz de estar alí. É, mais um coração foi tocado. Só assim continuo acreditando no futuro.
Depois tive de ir à filial. A estrada estava horrível, mas eu ia com o coração leve e tb foi rápido.
Ao voltar fui novamente prá cozinha, misturar meu caldeirão. E de lá, novamente saiu coisa boa.Vou dizer uma coisa, sem falsa modéstia, mas faço um feijão branco com costelinha que é um desbunde.É o amor! E tb um tanto de feijão branco, costelinha, alho poró, cenoura, alho, cebola, cheiro verde, linguiça calabresa e bacon fatiado. Sou aquela cozinheira chata que aferventa as costelinhas defumadas antes de levar à panela para diminuir a gordura e dar uma limpadinha melhor.Na gordura do bacon, desfrito a linguiça fatiada. Em seguida a cebola e por fim o alho.Na panela já estão esperando os outros ingredientes.Bem no finalzinho, qdo o caldo já está bem encorpado é que acrescento o cheiro verde.
Depois, passeando pelos videos do you tube, dei de cara com um que traz um trecho da minha lenda favorita:
Rei Arthur. Gosto dele porque era um rei justo, que amava e respeitava as mulheres. Tenho um repertório variado, desde Excalibur, Os Cavaleiros da Távola Redonda, Brumas de Avalon, A Dama do Lago, até Morgana, Guinevere, Merlin e etc. Qualquer hora escrevo sobre isso.
Uma excelente noite de sonhos para todos, embalados pelas brumas de Avalon :o)
Estou com problemas para postar os videos do youtube. Deixo aqui o link de uma música que acompanha o meu estado de espírito agora: Vangelis !
Volto depois :o)

9.10.09

Falando em gente que faz e gente que diz que faz e gente que diz que quer fazer acabo me perguntando qual a verdade na qual a pessoa quer acreditar. Sim, porque tem pessoas que criam uma verdade imaginária e acreditam nela cegamente.
Isso me fez lembrar de uma vez em que meu irmão, com aproximadamente 10 anos de idade, viu uma fotografia de quando meus bisavós desembarcaram no porto de Santos, vindos de São Petersburgo.Minha bisa usava vestido, chapéu e sombrinha.Enquanto que o Zeid vinha de terno e chapéu. Pela foto, aonde não se viam os amarrotados e carcomidos das roupas, meu irmão achava que eles viajaram como nos cruzeiros de luxo de hoje em dia.Nem passava na cabeça dele que eles vinham empilhados com poucos luxos como água e comida, sem todo aquele glamour que víamos nos filmes.
Mas eu escrevi tudo isto por causa de outro fato. Ontem fui dormir aborrecida com o que aconteceu.Não com o fato em si, mas sim porque eu avisei que isto ia acontecer, mas minha cunhada acreditava em outra verdade. Esta minha cunhada e amiga, casada com o irmão do meu cara metade, participa comigo das lutas para conseguir doações para as crianças do abrigo que trata portadores do HIV. Da última vez que esteve aqui saiu animadíssima, com mil idéias para arrecadar o que eles mais precisam como leite e artigos de higiene. Criou esquemas aonde as pessoas participariam diretamente, uma vez que tanta gente que não ajudou com a campanha de fraldas, se comprometeu a ajudar numa outra oportunidade. Eu já passei por isso e sabia o resultado.Eu comentei das minhas experiências, mas ela acreditava no sucesso.Tá certo , é a esperança que nos mantêm.
Voltando à noite de ontem eu lhe telefonei para contar que tinha conseguido a doação de um beliche, com dois colchões e dois travesseiros. Tudo novo! E era uma coisa muito urgente, pois as crianças que lá continuaram e cresceram não cabiam mais nas caminhas. Eu percebi que ela comemorou, mas logo ficou meio que desanimada.Foi aí que perguntei o que estava acontecendo e com a voz embargada ela me respondeu:
- Sabe, eu não consegui nada e pior, ainda tive que parar de falar. Vou ter que dar um tempo porque percebi que as pessoas estão se afastando de mim...
Eu fiquei arrasada com a tristeza dela. E nesta hora nada do que eu falasse ia adiantar, porque é a realidade nua e crua e eu não posso dizer à ela que no fundo temos que optar de qual lado queremos estar.Hoje eu vou com muito menos sede ao pote, mas sei com quem eu posso contar de verdade.Tanto que consegui este beliche e sei que até dezembro conseguirei os outros dois que eles precisam. A verdade na qual acredito não é assim muito bonita, mas pelo menos sei aonde estou pisando e os meus passos são firmes.E mesmo assim eu ainda tropeço :o)

Nada e lugar algum

Eu fico pensando se eu é que não sou diferente demais. Vejo gigantescos outdoors piscando em cores neon bem na cara das outras pessoas e elas nem percebem. Vejo de forma tão clara que é impossível que não estejam enxergando. Talvez seja porque o que está evidente demande algumas ações.Como as pessoas gostam de sofrer...não tem coisa que me irrite mais do que aquela pessoa que só reclama de tudo e que não faz nada para mudar.Fica esperando que as coisas se modifiquem sozinhas.Mal sabe ela que é dentro dela que as modificações devem ocorrer. Será tão dificíl assim?

Ainda no mundo da Lua

Na mitologia celta, Arianrhod era chamada de Deusa das Estrelas, Deusa dos Céus e Deusa da Reencarnação. Vivia em Caer Arianrhod, na via láctea. Deusa gaulesa de Avalon, era considerada figura primal de poder e autoridade feminina, a Deusa dos Ancestrais Celtas. Era a guardiã da Roda de Prata das Estrelas, um símbolo do tempo. Girando a Roda transformava-a em uma barca lunar, que carregava os guerreiros mortos para a terra da Lua (Emania).Regia a beleza, a fertilidade e a reencarnação.É ainda, a Deusa de tudo que é eterno.

8.10.09


Primeiro o homem tenta destruir a Terra, depois bombardeia a Lua...o Sol que se cuide...

A sonda Lcross (Lunar Crater Observation and Sensing Satellite) da Nasa lançará nesta sexta-feira um foguete sobre a cratera Cabeus A, que se encontra na região do polo sul, na face oculta da Lua. A missão tem como objetivo provocar um impacto que levante uma nuvem de pó e rochas sobre a cratera.
Enquanto estiver em meio à nuvem, a LCROSS analisará a composição de seus materiais e, especialmente, a possível presença de moléculas de água. Será o último ato da sonda após uma viagem de quase nove milhões de quilômetros pelo espaço, que incluiu várias voltas na órbita da Terra e da Lua.
A sonda LCROSS e o orbitador lunar foram lançados no dia 18 de junho deste ano a bordo de um foguete Atlas V a partir de Cabo Canaveral (Flórida).
(Fonte: Terra notícias - Foto: Nasa/Divulgação)

Nem mais a Lua será a mesma depois da intervenção humana. Conversando sobre o meu projeto para Ushuaia, um amigo que se ofereceu para acompanhar-nos, achou melhor anteciparmos a viagem, antes que os turistas modifiquem irremediavelmente a paisagem natural do lugar.

7.10.09

Perfeição

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...

Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...
(Renato Russo)
Acabei de descobrir, no "pai dos burros digital", o google, que o tão utilizado código de barras foi patenteado num dia 7 de Outubro, no ano de 1952. Acho que seus criadores nem imaginavam que o sistema estivesse hoje em todo e qualquer lugar.
Agora dizem que o sistema deve ser substituído pelo Radio Frequency Identification (RFID), um microchip que armazena dados e se comunica por meio de ondas de rádio com um aparelho leitor.
A utilização do sistema RFID começou na Segunda Guerra Mundial, aonde os aliados utilizaram aparelhos deste tipo para distinguir seus próprios aviões dos inimigos. Nos anos 90, o Massachussets Institute of Technology aperfeiçoou-o e elaborou um código possível de ser armazenado em chips.
E atualmente esses chips já são utilizados na identificação de cabeças de gado no pasto e livros em extensas bibliotecas. Pelo andar da carruagem, logo chegarão aos supermercados.

6.10.09

Pessoas que sofreram qualquer tipo de tortura, física ou psicológica, por muito tempo ou mesmo uma única vez, carregam marcas na alma. Por mais que tentem levar uma vida normal, estas marcas são profundas demais.E toda vez que algo desagradável, por menor que seja, acontece, o que está adormecido desperta.As convicções do indivíduo são abafadas por sentimentos de culpabilidade em situações aonde não existem culpados.Inconscientemente o torturado passa à buscar motivos e razões para a agressão sofrida.Só que elas também não existem, à não ser dentro dele. São seres que foram tão humilhados e diminuídos na sua essência que não conseguem recuperar a autoestima. O próprio sentimento de identidade é afetado e em momentos críticos essas pessoas preferiam ter morrido do que continuar à viver com esse peso, ou com a falta dele. Por mais capazes que sejam de amar, a sensação do não ser é maior que qualquer amor. E romper essa barreira é muito dificíl.

5.10.09

Na minha época não existiam siglas como TDAH, TDA, TOC, TCD e etc. Muito menos termos como borderline e altas habilidades.Nem a famigerada Ritalina.Meu pequeno grande filho foi diagnosticado ainda pequeno, aos 3 anos de idade como TDA, com algumas altas habilidades. Ou seja, ele era o aluno que não ficava mais do que 15 minutos concentrado em sala de aula e que sabia tudo. Isso desde cedo rendeu-lhe uma certa antipatia por parte de profissionais menos preparados.Os mais preparados sabiam interagir com ele perfeitamente.
Nunca concordei com a administração de Ritalina e cheguei à mudá-lo de escola quando a diretora de uma colocou-me na parede.Ele nunca foi arteiro de botar fogo na escola, nunca socou os colegas (só 1 vez, se defendendo), mas seu maior problema era o eterno contestar. Aos 3 anos ele já contestava o autoritarismo das professoras. Aos 5 anos e pouco, ele disse à professora que era educado pedir por favor quando solicitasse alguma coisa à alguém. A resposta dela foi:
- Eu não preciso, porque na sala de aula eu sou a autoridade, eu mando e vocês obedecem.
Em parte a culpa era minha pôr ensinar-lhe educação e daí então que eu mudei-lhe de escola.O que uma mulher com este tipo de resposta poderia ensinar ao meu filho?
Agora, já mais crescidinho, ele obedece as regras e quando alguma lhe escapa, admite o erro e pede desculpas. Outro dia mesmo foi pego com alguns colegas escalando o portão da escola, na hora do intervalo, só para espiar as meninas mais velhas do cursinho que tem no final da rua.Ah..os hormônios...de qualquer forma tomou uma advertência escrita e prometeu não mais repetir a proeza.
Hoje, bem cedo, eu tive reunião na escola. O problema agora são as provas. Em resumo, ele sabe a matéria mas não presta atenção às questões. Mais uma vez a sua velocidade de pensamento está muito superior à velocidade da leitura.E lá vamos nós outra vez :o)
Pediram que ele vá à uma psicopedagoga, indicada pela escola, para saber como proceder com ele. Porque na verdade ele sabe melhor a matéria do que a maioria da sua sala.E mesmo assim suas notas são baixas, quer dizer, nem tão baixas assim. A média para aprovação é 6 e ele consegue tirar 5 ou 5,5 em todas as disciplinas, menos educação física aonde ele não tira menos de 9. Segundo a escola, pelo que ele absorve do conteúdo ele deveria tirar pelo menos 9 em todas as disciplinas. Eu, com minhas idéias estapafúrdias penso que se todos sabem que ele pode tirar 9 e não tira, deixem-no tirar os 5 ou 5,5. Mas de qualquer forma me comprometi em convencê-lo à tirar pelo menos 6.Ainda dentro das estapafúrdias idéias arrisco dizer que isso tem muito pouca importância no seu futuro.Mas regras são regras e não devem ser quebradas, segundo o bom senso :o)

4.10.09

Ah...só por ser domingo já acordo com mais preguiça. Fui ao tal churrasco, que na verdade não foi ontem, foi hoje, acho que nunca confessei que costumo me atrapalhar um pouco com datas, né? E levei a salada de pepino e o doce de abóbora. Os pepinos foram unânimidade, todos comeram e elogiaram muito, tanto que foi a primeira coisa à acabar sobre a mesa.Eu não imaginava que fosse fazer tanto sucesso. Outro dia dei a receita como me passaram e hoje aproveito prá acertar as quantidades: são 5 pepinos para meio abacaxi picado, um pedaço pequeno de gengibre e meio pimentão. Coloquei num copo dois dedos de vinagre, 2 colheres de sopa de açucar, 1 colher de chá de sal e completei com mais meio copo de água. Serviu bem 10 pessoas, mas se tivesse mais acho que todos comeriam :o)
E o doce de abóbora? Foi quase todo tb...e é isso que me dá prazer em cozinhar...
Muitas pessoas evitam falar da morte diretamente, confeso que até eu mesma fico procurando outras formas de nomeá-la, como fiz no post abaixo.Mas isso me faz refletir sobre o filme que assisti ontem: A Partida (Departures/ Okuribito), de Yojiro Takita, que recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2009. A produção japonesa competiu com mais de 60 outros filmes, inclusive o brasileiro última Parada 174. Eu diria que é uma produção corajosa, que enfrenta sem pudores um tema que todos fazemos questão de tentar não comentar. O filme é simples, sem muitos recursos, nem nada de novo, mas é grandioso na sua essência.É muito mais que uma lição sobre o pensar sobre a morte, é uma lição sobre o agir. As reações descritas no filme devem ser vistas sob a ótica oriental, principalmente o que se refere às emoções e sentimentos. É quase poética a forma como nos é apresentado o sentimento reprimido.É possível perceber sem palavras a dificuldade do protagonista para ultrapassar certas barreiras.E as histórias dos personagens paralelos são tb pequenas lições sobre respeito, amor, remorso e preconceito.É um filme muito bonito e ao final dá vontade de quero mais :o)
E o que tem o violoncelo da foto à ver com o filme? Bem...aí é uma outra lição...

Mercedes Sosa - Gracias a La Vida

Acho que hoje esta música é a que melhor traduz Mercedes Sosa, graças aos milagres da vida é que pudemos compartilhar através de sua música, inúmeros sentimentos.
Boa viagem!

3.10.09

Sem os sonhos não sou ninguém, assim como muitas pessoas que conheço.Como também tento não me preocupar com o dia de amanhã, embora digam que eu deveria. Será mesmo? Tenho lá meu modo de ser e acho que agora não mudo muito mais. Aqui tenho o passado, o presente e o futuro coexistindo em paz. Verdadeiramente em paz. Aliás não tenho espaço para o que não é verdadeiro. Tudo sem muita lógica nem métrica. Certa ou errada eu sou feliz, eu choro, eu rio, eu grito, eu calo, eu ouço, eu lembro e eu esqueço.Em mim vivem além dos muitos sonhos, muitos mundos. Alguns eu compartilho, outros não.Talvez por ser uma pessoa sensível demais ao mundo externo é que eu precise de um espaço dentro de mim e só meu :o)

Variações sobre o mesmo tema n.2

Variações sobre o mesmo tema n.1

2.10.09

Primeiro leia aqui o texto Dicionário do Rochedo(49) do dia 03 de outubro de 2009 e depois compreenda o que ocasionou tal post:
Arcebispo diz que padres pederastas são na realidade "efebófilos"
O representante do Vaticano na ONU, em Genebra, defendeu as medidas da Igreja contra os padres pederastas, a quem prefere chamar "efebófilos", justificando que a maioria cometeu esses abusos sexuais com adolescentes dos 11 aos 17 anos. Os comentários do arcebispo Silvano Tomasi foram feitos no final de uma reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, informou nesta quarta-feira o diário italiano La Stampa, precisando que esta defesa do prelado era uma resposta às críticas de Keith Porteus Wood, da União Internacional de Ética e Humanismo.
Porteus Wood acusou a Igreja Católica de ter escondido os casos de abusos contra crianças cometidos por sacerdotes pederastas e disse, segundo o diário, que "os muitos milhares de vítimas desses abusos merecem que a comunidade internacional peça contas ao Vaticano, que até agora não quis fazer nada". (noticias.rtp.pt)

O Rio de Janeiro continua lindo!


E que venha 2016!

Momento gastronômico

Faltou o abacaxi. Fui às compras hoje cedo e esqueci o abacaxi. Sim , dei-me a alforria nesta sexta feira. Amanhã fui convidada para um churrasquinho e levarei uma salada que acabei de aprender.Estive na filial esta semana e fomos almoçar fora. Ao elogiar uma salada, o dono do estabelecimento,um italianão despachado e simpático na casa dos 60 anos, todo solícito, já sentou-se ao meu lado e foi logo explicando como fazia.Vou postar a receita como ele me passou:
- Você pega uns 5 pepinos japoneses e fatia fininho.Pica um abacaxi em cubos pequenos.Pica meio pimentão em quadradinhos bem pequenos e rale um pouco de gengibre.Misture tudo e tempere com vinagre branco, um pouco de açucar e sal. Sirva bem gelado, depois de umas 4 ou 5 horas de geladeira.
Eu não como pimentão, mas acho que dá um sabor especial na comida.E neste caso acho que ele é fundamental. A mistura pode parecer estapafúrdia, mas eu garanto que é uma salada extremamente saborosa e refrescante. Acho que não tem erro..rs...
Eu até sei porque esqueci o abacaxi.Enquanto eu escolhia as frutas, dei de cara com uma abóbora bem laranjinha e já limpa e picada em cubos. Automaticamente avistei o côco seco. Conclusão: resolvi fazer um doce de abóbora com côco para também levar para o churrasco. Nessas perdi o foco e esqueci do abacaxi.Daqui à pouco vou lá buscar...
P.S. Na foto acima, de autoria desconhecida, também falta o abacaxi :o)
Lembro da minha mãe diversas vezes me dizendo:
- Mas que idéia mais estapafúrdia! Nunca fui procurar o significado da palavra, mas sempre entendi bem o que ela queria dizer. Minha mãe tentava me dizer que minhas idéias não soariam muito bem aos ouvidos alheios.E eu nunca fui de ficar calada, acho que já nasci constestando alguém ou alguma coisa.Desde pequena eu tinha pavor de me vestir igual aos outros porque eu não era igual aos outros.Eu aprendi o significado de diversidade muito antes de compreender o que significava estapafúrdia.Logo no início do meu processo de alfabetização eu já fui advertida quando, ao ser argumentada na aula de religião, respondi o que representava Jesus Cristo para mim.Todos na classe disseram amor, perdão, filho e representante de Deus na Terra e etc. E eu, usando desta minha lógica estapafúrdia, fui dizer que para mim, ele era como um irmão ou parente mais velho com algo para me ensinar. Nem preciso dizer que a professora me acusou de desrespeito. Mas eu pensava que, sendo todo ser humano a imagem e semelhança de Deus, Jesus, tb filho de Deus, não poderia ser melhor ou pior que eu, e sim igual.O que ele poderia é saber muito mais do que eu e ser também muito mais evoluído.Mas enquanto indivíduo estávamos em pé de igualdade e eu sentia muito, de verdade, que ele, por falta de compreensão e interesses políticos da época, tenha sido crucificado.Eu não duvidava da sua bondade infinita porque eu tb sabia o que era ser boa e caridosa.Mas em 1970 e qualquer coisa esse raciocínio soava muito mal.
Alguns anos mais tarde, quando eu tinha 14 anos, uma amiga da mesma idade fez um aborto. Mais uma vez minhas idéias pareciam estapafúrdias. Eu, por inúmeras razões e hoje por ter vivido a experiência de não poder engravidar, não faria um aborto.E na verdade, nem naquela época. Entretanto, fui a única pessoa a apoiar a decisão dessa amiga. Era a vida dela, o corpo dela e ela tinha total consciência do ato que ia praticar.Tanto que nunca se arrependeu.Mas ela foi praticamente crucificada por quem soube. Muitas vezes eu acho que os pecados existem para que as pessoas possam apontar nos outros a culpa por seus próprios erros.É sempre tudo muito conveniente.
Eu não mataria outra pessoa e nem mesmo um animal porque eu respeito a vida, acima de tudo.E talvez numa hora de desespero, defendendo por exemplo o meu filho, eu seria capaz de matar quem ou o que estivesse colocando a vida dele em risco. Quando fomos assaltados os ladrões ameaçaram diversas vezes matar meu filho.Eu não tenho certeza se naquela hora, se um deles tivesse realmente atirado, eu não teria pulado na mão do assassino e descarregado a arma nele. Julgar é sempre muito dificíl, talvez seja também algo estapafúrdio.

1.10.09


Ausência
(Carlos Drummond de Andrade)

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Foto: Francesca, The Bridges of Madison County)