23.3.19

Tirem as crianças da sala:
"A Criada", do diretor sul coreano Park Chan-Wook tem o roteiro baseado no livro Fingersmith, de Sarah Waters. Enquanto a história original se passa em Londres, no século XIX, no filme, a trama acontece na Coréia, em 1930. E a Coréia, ocupada pelo Japão, ficou muito mais interessante do que Londres.
Amo filmes baseados em livros! São, na sua maioria, muito bem estruturados.
E este tem uma fotografia sensacional.A câmera passeia com intimidade pelos cenários muito bem elaborados, é um capricho de composição visual.
O filme evidencia os defeitos e a perversidade humana, que são suavizados pelo amor que nasce entre as duas personagens principais. 
Intrinsicamente erótico, traz nitidamente uma visão masculina sobre o sexo, podemos ver a libido aumentando através dos olhos dos personagens e também através da câmera, mas isso não atrapalha em nada o resultado final, pelo contrário, aumenta o sentido de toda trama.
Eu gostei, apesar de um tema já filmado muitas vezes, este filme tem uma roupagem diferente!

Meu santinho do sono perdido... cadê você???
Estou cansada mas minha cabeça não pára. Ė muito pensamento junto.
Assim não há sono que baste!
E aí a náusea vem e volta. Deve ser consequência da batalha que meus anticorpos devem estar travando lá dentro.
Ok, vou tentar dormir...mas queria deixar registrado aqui que não estou conseguindo... é muita vida prá viver!

22.3.19

Uma amiga que mora em Lisboa me manda uma linda mensagem desejando-me uma rápida recuperação e anexa uma foto panorâmica da cidade, com um convite de "venha logo nos visitar".
É aí que meu "curação" bate mais forte dentro do peito!
Queria mesmo era estar vendo o dia cair num dos meus miradouros favoritos, aquele em homenagem à Sophia de Mello Breyner Andresen, no alto do bairro da Graça.
O bairro da Graça foi também o berço de um grande amigo, o Carlos, que muito infelizmente nos deixou no final do ano passado. Ainda vou lá prestar-lhe um minuto meu de silêncio.
Todos os ventos me levam para Portugal!
Difícil mesmo é acompanhar esta minha paixão. Até penso em conhecer novos lugares mas na última hora eu mudo a direção e acabo indo para o lugar aonde me sinto em casa.
Qualquer dia eu vou e não me deixo mais voltar.
E por enquanto vou vivendo por aqui, agora um tanto nauseada, matando a saudade através da música.

21.3.19

Voltei para casa!
Confesso estar um pouco cansada, mas até que animada.
Nada como dormir na nossa cama, tomar banho no nosso banheiro e comer comida de mãe.
Sim, minha mãe me mandou bolo de mel, chá preto e cacau, além de carne de panela desfiada.
Tudo bem leve, saudável e delicioso.


O meu nível de cansaço é tanto, que quando estava tomando banho, acabei me assustando com o roxo no meu braço, achei que era um bicho.
Recebi os parabéns do médico, passei pelo corredor polonês sem grandes traumas e alguns poucos hematomas.
Quanto à sensibilidade, nada mudou, continuo não sentindo os pés, mas eu sabia que o processo seria lento.Ou seja, mês que vem tem mais...
Me falaram tanto dos efeitos colaterais que eu achei que fosse bem pior do que foi.E na verdade o que faz diferença é como encaramos o problema, eu prefiro olhá-lo nos olhos.
Estou de volta à ativa e feliz!!!
 

19.3.19

Hoje li a seguinte verdade: São poucos os que, honestamente, de coração aberto, podem mostrar alegria pelo bem que os outros recebem.
Eu fico extremamente feliz com o sucesso alheio. Desejo ao outro sempre o que gostaria para mim!
Evitei falar do meu problema fora daqui, mais por causa das pessoas tóxicas. Já perceberam aquelas pessoas que sempre precisam dizer que possuem algo maior, ou no caso de doenças, pior do que o que você tem?
Cada um tem o que tem e ponto.
Ontem recebi a visita de uma pessoa assim, reclamando de tudo, inclusive da artrose que lhe confere muita dor nas juntas e etc. Eu só a escutei e observei. Em nenhum momento ela se interessou em saber como eu me sinto, já que tenho perdido gradativamente a autonomia. O importante é que ela vai poder contar para os outros que no final da tarde de ontem visitou uma amiga no hospital, é capaz até de contar uma história triste.
E olha que eu estou longe de ser uma história triste, pelo contrário, estou feliz em estar lutando bem contra essa adversidade. Ser resiliente é amar a vida de forma apaixonada.
As pessoas parecem estar perdendo a capacidade de desejar o bem ao próximo.
Como eu sempre digo, está faltando amor nesse mundo.
Fora a minha pequena família, conto nos dedos das mãos as pessoas que estão torcendo por mim de forma livre de qualquer pretexto ou intenção.
Sou extremamente grata!



18.3.19

Terceiro dia da imunoglobulina.


Dizem que no terceiro dia, os sintomas da infusão começam a melhorar. Até agora os poucos são uma dorzinha de cabeça bem fraquinha e uns momentos de náusea, bem leves também. Talvez sejam fruto da mudança na alimentação, isso que dá comer muito natural em casa, depois entra em choque de realidade. Prá um hospital acho que eles usam muito alho e cebola. Mas enfim, minha estadia aqui é temporária.
Hoje houve um pequeno atraso para começar e devo ficar com a medicação até às 22:30h.
Como já disse antes, o importante aqui é ter paciência!!!
Enquanto isso o bom são as caminhadas pelo corredor, com a bomba de infusão pendurada no suporte de soro. É quase cena de filme!

17.3.19

Cabeça de gordo é cabeça de gordo.
Não importa o quanto emagrecemos, ainda temos pensamentos gordos e nos deliciamos com eles.
Domingão, segundo dia da infusão de imunoglobulina e a pessoa tá como?
Feliz porque veio pão de queijo no lanche da tarde...

Está tudo indo super bem, mas tão bem que achei que este lanche foi presente dos céus.
Não sei se já disse antes, acho que sim, mas a felicidade reside em sentir e curtir o prazer que nos são proporcionados. Sou uma pessoa afortunada pois sinto prazer com muitas coisas como por exemplo: beijo apaixonado, café recém coado, água pra matar a sede, água pra molhar o corpo, brisa do mar, vento nos cabelos e amor sincero.
Pra não dizer que não falei das flores:


Eu ganhei uma maçã ontem.E ela também dá um certo prazer. 
Falando sério, isso tudo é um exercício gigantesco de paciência.
Ainda faltam dois frascos para terminar a infusão de hoje.

16.3.19

Nós nos modificamos diariamente. Com essas mudanças aprendemos. Bem, nem todos nós. Eu tento!
Nesta última semana aprendi muito sobre o amor, aquele difícil de definir e que estende-se por caminhos infinitos. Amar é sentir, realizar e sobretudo dar e receber.
E assim alcancei o fortalecimento necessário para enfrentar uma etapa complicada deste meu doce viver.
Hoje comecei a primeira sessão de imunoterapia.


Faltam ainda quatro dias. Mas são muitas as mãos que seguram a minha e isto faz tudo parecer bem melhor do que é.
Obrigada 😘

15.3.19

Ah...os anos 80.
Não tem como explicar os "bailinhos".
Muitos namorinhos começavam neles, mas esse não era o intuito, isso era consequência.
O negócio era ir prá descontrair mesmo.
Foi uma fase até que rápida na minha vida, mas tenho ótimas lembranças.
Claro que usei melissa transparente com meia soquete colorida.


Certa vez um colega de classe passou em casa para irmos ao cinema e eu estava com as tais meias coloridas.Ele tentou me convencer a tirá-las, sob pena de não ir mais comigo.Por volta dos 13 anos eu já tinha um gênio forte e respondi:
- Então vou sozinha! E saí andando.E ele foi atrás, resmungando, mas foi.
E quanto aos bailinhos, nunca fui de dançar, mas gostava do clima contagiante.

14.3.19

Uma xícara de chá (esse troço vicia)!
E uma boa música na cabeça.

13.3.19

O valor que a vida tem é mesmo consternante.
Enquanto uns lutam por suas vidas nos hospitais outros tiram vidas de forma aleatória.Nunca entendi direito a lógica de quem fica e quem vai, talvez não tenha mesmo.
Ontem, assistindo a série Knightfall, senti-me tocada com a dor da Rainha da Catalunha por ter perdido um filho.
Hoje cedo somos surpreendidos com a notícia dos assassinatos na escola em Suzano.
O ser humano não é sozinho, fazemos parte de círculos familiares e sociais, independente da estrutura.
Sempre me lembro da frase do John Donne:

"Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti."

Ao mesmo tempo que me entristeço com o que leio, sou arrancada da realidade novamente com o telefonema do hospital. Não que fosse uma surpresa, mas agora é sério. A medicação chegou e interno no sábado, às 8 da manhã.
Chove lá fora, as pessoas entristecidas com o que aconteceu, mas aqui dentro preciso manter a moral alta, manter a força e a coragem para a batalha que se aproxima.Eu preciso que meus anticorpos se reorganizem, que consertem a bagunça que eles provocaram.


Assim, mais uma vez, como já fiz tantas outras vezes, venho para o computador para me distanciar um pouco do mundo.Pego uma xícara de chá, Darjeeling, e coloco os fones de ouvido!


É um momento de abstração necessário.

10.3.19

Hoje acordei inspirada e resolvi trabalhar!
Afinal não dá prá passar o final de semana só lendo, assistindo filmes e cozinhando.Aliás, neste último quesito eu ando me superando!!!
Fui cuidar do meu jardim de parede...meu hospital de orquídeas.


Nem percebi o tempo passando.
E ainda tive uma ajudante...



Na verdade era mais uma atrapalhante



O importante mesmo é a sensação de dever cumprido e a cara de felicidade das minhas plantas!!!


 

9.3.19

Não sendo piegas e nem de longe querendo fazer uma manifestação política, só tenho uma coisa a dizer hoje:

- Não solta a minha mão!

Estou tentando manter a tranquilidade.
Faz três semanas que a minha malinha para o hospital está pronta.
Primeiro foi um erro na solicitação da medicação, depois foi o atraso por causa do feriado de carnaval, agora a Imunoglobulina estava em falta no laboratório.
A farmacêutica do hospital me informou, ontem, que a compra já foi feita e que na próxima sexta feira, sem falta, o laboratório vai fazer a entrega.Ou seja, acho que agora vai, tanto que já agendaram a internação para o dia 16.Isto porque é um Hospital particular e o plano de saúde está pagando integralmente a medicação, que é de alto custo.
Nem posso reclamar, mas, honestamente, paciência não é o meu forte!

E mudando um pouco do assunto, sem sair compltimamente tenho gostado muito do trabalho dele.

6.3.19

TUDO QUE VICIA COMEÇA COM C

Segundo Luiz Fernando Veríssimo, TUDO QUE VICIA COMEÇA COM C

Concordo!

"Tudo que vicia começa com C. Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios. Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C! De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com Cê. Inicialmente, lembrei do Cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra C. Depois, lembrei das drogas pesadas: Cocaína, Crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da Cannabis sativa que também começa com Cê. Entre as bebidas super populares há a Cachaça, a Cerveja e o Café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do Café mas não deixam de tomar seu Chimarrão que também - adivinha - começa com a letra C. Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois Cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum. Impressionante, hein? E o Computador e o Chocolate? Estes dispensam comentários. Os vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é Cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da Cana. Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada "Créeeeeeu". Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade... Cinco. Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o "ato sexual", e este é denominado Coito. Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com Cê. Mas atenção: nem tudo que começa com Cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos pois a humanidade seria viciada em Cultura..." LFV

Tenho uma quedinha também pelas letras M e P, mas isso são outros quinhentos...


AS ONDAS  (Bilac)

Entre as trêmulas mornas ardentias,
A noite no alto Mar anima as ondas.
Sobem das fundas úmidas Golcondas,
Pérolas vivas, as nereidas frias:
Entrelaçam-se, correm fugidias,
Voltam, cruzando-se; e, em lascivas rondas,
Vestem as formas alvas e redondas
De algas roxas e glaucas Pedrarias.
Coxas de vago ônix, ventres polidos
De alabastro, quadris de argêntea espuma,
Seios de dúbia opala ardem na treva;
E bocas verdes, cheias de gemidos,
Que o fósforo incendeia e o âmbar perfuma,
Soluçam beijos vãos que o vento leva... (Tarde, 1919)

2.3.19

Dizem que foi Pitágoras que disse:

O homem é mortal por seus temores e imortal por seus desejos...

É justamente sobre mortalidade que eu preciso falar, eu ainda não me sinto pronta prá ir embora.
Mas viver é justamente correr riscos, não é?
E tenho ainda muitos desejos, tantos que perco a conta!
Aqui dentro tenho uma árvore aonde cultivo todos eles.


Falam por aí que com a idade ficamos mais sossegados, não sei aonde.
Parece que ao chegar aos 50 anos começamos a planejar os próximos 50, como se fossemos viver até os 100. Pelo menos é assim que eu me sinto.
Preciso é tentar racionalizar menos (eu já ouvi isso antes).
Mas segundo a astrologia, Mercúrio estará retrógrado entre 05 e 28 de março, o que significa, para o meu signo, que eu verei a realidade com mais clareza. Mais? E que deverei tomar cuidado com o que digo, pois a palavras são transformadoras.Vou tentar, prometo!
Eu posso começar evitando dizer o que estou sentindo e como as pessoas afetam, ou não, a minha vida Aproveito para canalizar toda essa energia me aprofundando num dos temas que mais me fascina: a construção de personagens.Vou mergulhar um pouco mais no cinema italiano com o livro que acabou de chegar:


E de quebra ainda tenho uns textos de Lacan, Camus e Campbell para me manter entretida. Falando ainda sobre cinema e psicologia, a série "You", da Netflix, é sensacional.Tanto ela quanto "Lúcifer" trabalham bastante com a idéia do desejo.
Sim, a pergunta mais importante é:  O que você deseja?     

26.2.19

Se eu fecho meus olhos o que vejo é um turbilhão!!!
Do tipo máquina de lavar roupas com abertura frontal.
Amanhã passo por mais uma avaliação antes da infusão de imunoglobulinas, que agora ficou para depois do Carnaval. Mas fico mesmo pensando como será fantástico se eu conseguir voltar a dirigir da forma normal, com os pés. Não foi bem isso que me foi prometido, mas não custa ter expectativas elevadas.Este tem sido, emocionalmente, um momento muito singular na minha vida.
A pessoa com quem eu mais podia contar nessas horas morreu há dois anos. Tenho podido falar abertamente com poucas pessoas, conto nos dedos.Não porquê não vão me ouvir, mas é que não vão me entender. Logo no começo foi bem difícil, sem meu pai e sem muitos colos disponíveis.Tem gente que não imagina a falta que me fez uma palavra, um abraço ou simplesmente uma xícara de café e alguns momentos de olhos nos olhos.Chorei tanto baixinho que até cansei.E ainda tem outras pessoas que nem imaginam o que está se passando comigo, também não precisam saber.
Tenho que agradecer imensamente o cara metade, que tem feito das tripas, coração, para que eu não caia. Fora isso tenho sentido uma saudade permanente daquelas pessoas que sabiam como me amar.
Puta que pariu! Ando carente prá cacete!
Por sorte, são apenas alguns surtos passageiros de carência, normalmente no final da tarde e de madrugada.
O que acho mais engraçado é a quantidade de desconhecidos que andam me estendendo a mão, ou ainda, simplesmente, me esboçando um sorriso, como se soubessem como isso me faz bem!
Não posso reclamar, estou indo bem...talvez eu esteja começando a aceitar aquilo que não posso mudar.E muito provavelmente quem está mudando sou eu. Tanto que ando recebendo convites para voltar para as produções de cinema e video e acho que dou conta, independente de qualquer limitação.Sinto que minhas asas estão voltando!

24.2.19

Hoje tem cerimônia do Oscar, televisionada à partir das 22 horas.Não tenho certeza se conseguirei ficar acordada até o final pois minha cabeça está um pouco distante de tudo.De qualquer forma estou torcendo por Roma, de Alfonso Cuarón, para prêmio de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Fotografia. Serão todos merecidíssimos!!!
Changing the subject:  acabei de ir às lágrimas ao reler as mensagens do whatts de sexta feira.Eu estava com a malinha pronta quando recebi mensagem do hospital dizendo que a medicação atrasou e que deve chegar à partir de segunda feira, sem data definida ainda.Mas não chorei por causa disso e sim porque me lembrei do médico me dizendo que o meu tratamento não seria fácil e da crise de choro que tive em seguida.
Ou seja, estou um tanto instável.O que tem me animado e me tirado até umas risadas é a série Lúcifer, da Netflix. Acho que durante a vida atraímos certos tipos de pessoas e eu convivi muito com gente com temperamento difícil, rompantes, inteligência afiada e muita sensibilidade, além de inúmeros casos de redenção, voluntárias ou não.
É por essas e outras que tenho me distraído com Lúcifer Morningstar: 

20.2.19

Cheguei em casa, tirei os sapatos, coloquei uma roupa confortável, ajustei o volume dos fones de ouvido e não pensei em mais nada!

18.2.19

Ok...acordei menos dramática hoje.
O que tem me impressionado um bocado é que o passado tem me visitado constantemente.
Talvez seja meu subconsciente dizendo: Va lá, levante e lute...agora não é hora de esmorecer.
Cadê aquela mulher determinada, que sempre soube o que fazer, mesmo parecendo que não?
Amanhã tenho consulta no hospital para tratar da minha internação.Se a medicação chegar logo, no Carnaval já estou em casa.Não sei bem que sentimento tem tomado conta de mim.Não é medo, também não é ansiedade.Talvez seja esta imobilidade temporária, me sinto engessada.
Só sei que é melhor não pensar em tempo, é melhor viver o hoje.
Vou tentar relaxar...nessas horas músicas assim ajudam.

15.2.19

Eu queria falar de amor, que é o que me mantém firme e forte, mas estou preferindo falar de sonhos,  drama, ficção, até mesmo de Romeu e Julieta, o que me faz querer, quando sair dessa, ir à Verona.
Putz, eu queria poder falar mais sobre como estou me sentindo, mas não consigo, acho mais fácil escrever.
Estou sem muita vontade de falar sobre meu próximo tratamento, talvez por estar apreensiva, é tudo ainda muito novo para mim.
O plano de saúde acabou de liberar a internação e a compra da imunoglobulina, agora é uma questão de dias. Serão 5 ou 6 dias de internação nesta primeira fase, e ela terá que ser repetida depois de 30 e 60 dias.
Ou seja, nos próximos três meses estarei comprometida com o tratamento e passarei um temporada no hospital.Que o processo seja suave.
Tento não racionalizar muito porque doenças auto imunes não tem lá muitas respostas.E é também um processo solitário, por mais que eu tente colocar para fora o que estou sentindo, não consigo me expressar, é tudo muito misturado: ansiedade, angústia, ao mesmo tempo esperança, segurança, fé...e sempre muitos questionamentos.
Eu queria pensar menos!

10.2.19

Kid Abelha e Ki Vexame

Hoje estou saudosista...o ano era 1986.
Eu havia entrado na minha segunda faculdade, agora havia decidido que queria ser jornalista.Deixei para aparecer na faculdade somente na segunda semana de aula, achando que escaparia dos trotes.Mas que nada...para escapar de algo pior ou mais vexatório concordei em cantar no karaokê.Só não sabia que era no teatro do campus!
Quando me dei conta a música já estava começando e eu me encontrava no centro do palco com mais duas garotas e um teatro super lotado.Nem sei como cantei, só sei que eu tinha um microfone nas mãos, nunca havia cantado em público, eu mal arriscava uns refrões no chuveiro.
As portas do teatro não fechavam, tinha gente espremida em tudo quanto era canto, só prá dar uma espiadinha.Ao terminar, agradeci mentalmente não terem me vaiado.Só escutava assobios e o pedido de bis, mas garanto que não foram por conta da minha afinação.Sumi do palco da mesma forma como apareci.Por uns dois anos eu ainda era reconhecida como a garota que cantou "Como eu quero".Até hoje não se isso era bom ou ruim, mas lembro com carinho dos aplausos animados, mesmo que não tenham sido sinceros.